Dia 16: O que pode um coração partido?

Já me perdi na conta das horas, dos cigarros, das doses de cachaça.

Não há poesia no fim do amor. Os dias correm como água e levam o que de bom ficou. Sobra vazio e comiseração. Há algo de mesquinho nesse sentimento, cultivo cada pedaço de dor. Dedicada, rego um pouco a cada dia.

Um novo amor bate à porta, trazendo fantasias e promessas. Um desejo que nasce no asfalto seco, como erva daninha que insiste em crescer onde não é chamada. Mas não há nada ali. Apenas uma imagem digitada por dedos ansiosos.

Depois de ter pedaços estilhaçados no peito, tantas e inúmeras vezes, como ousar querer?

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Dia 5: à deriva

Sabrina + Audrey Hepburn + sailboat 2

A linguagem é algo poderoso.

Palavras constroem nossa realidade.

Quando te nomeei “meu porto seguro”, ancorei em ti.

Agarrei-me com força à segurança do teu abraço.

Desde que estivesse contigo, tudo ficaria bem.

No nosso balanço, nem percebi quando os nós se afrouxaram e a corda se soltou.

Quando notei já estava longe, tão longe que não havia mais para onde voltar.

Agora estou aqui, em pleno mar revolto, engolida pelas ondas.