Carta 2

Meu Amor,

Acordei chorando e decidi te escrever. É tão fácil te amar e tão difícil viver esse amor. Os dias contados na espera de um futuro que nunca virá. Uma alegria vivida em quartos de hotel, em beijos mensais num colchão muito mole. Uma tristeza que se despede no aeroporto sem saber do dia de amanhã. “O nosso amor a gente inventa”, dissemos. E seguimos encontrando brechas de presença e intimidade. Nos dias bons rimos em conversas digitais, preocupados com a política e com a falta de esperança, mas repletos de afeto. Nos dias ruins nos afastamos em comiseração, animais acuados que lambem a ferida e rejeitam qualquer proximidade.

É tão fácil te amar e tão difícil viver esse amor. Não há espaço para um desejo que ultrapasse o dia de hoje. Não há lugar para a fantasia de uma vida em comum. Eu te peço desculpas pela aspereza do meu coração de pedra. Enquanto penso em tudo o que poderíamos ser, me resigno com tudo o que não somos. Mas saiba que te escrevo com amor, mesmo que você não leia as minhas palavras e não perceba meus anseios. E continuo aqui, te esperando.

Beijos,

M.

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