Carta 4

Meu Amor,

O cinza dos dias permanece em chuva e solidão. Enquanto o mundo se despedaça e o cansaço se instala sigo como autômata realizando tarefas banais. Cada dia é uma pequena vitória compartilhada contigo. Quero dizer o quanto te amo, mas minha inaptidão com as palavras produz apenas silêncio. Escuto tua voz e é como se estivesse deitada ao teu lado, tua risada preenchendo meu quarto e meu coração de pedra. Nem precisei dizer do medo que sinto, porque para ti sou transparente como água cristalina. Eu carrego esse fardo que é um baú de memórias e dores repleto do meu vazio. E nessa aridez floresço em ti. Quero cantar esse amor em versos ridículos como as cartas de Pessoa enquanto te olho nos olhos. E aguardo aquele dia em que tudo parecerá possível, fácil e leve novamente. Agora apenas coleciono os instantes que divido contigo. E te espero.

Beijo,

M.

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