Carta 5

Meu Amor,

Olho para as nuvens e penso que talvez, só um pouquinho, eu possa sonhar em voar de novo enquanto estremeço de alegria e medo. Eu sou assim, árida, esquecida há tanto tempo de que é possível ousar querer. Obrigada por me receber, na sua casa e em seu coração, oferecendo o seu amor em uma xícara de café quente recém-passado. Pouco importa o barulho lá fora, aqui dentro é tudo paz e riso e desejo. Ser feliz é assim, eu acho, quando todos os pedaços se encaixam no caos. Eu nos percebo tateando em um leve desconforto de temor que se dissolve numa praça cheia de aplausos a um palhaço corajoso. Quanta surpresa. São tantos pequenos acertos, tão sutis, que os dias e meses se passam enquanto me assombro com a vastidão desse afeto.

“Não trabalhamos com amor”, você sabe. Mas eu amo você, mesmo de forma tão assustada. Vivemos dias difíceis, mas nossa força nos trouxe até aqui. Afinal, somos sobreviventes. E agora seguimos juntos, orgulhosos, de mãos dadas. Você não percebe, mas eu choro silenciosamente de felicidade ao seu lado. E espero a sua vinda.

Beijo,

M.

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