No hay banda

Eu passo o produto de limpeza no sofá para tirar teu cheiro que já me impregnou. Chega a ser insuportável essa presença me acompanhando o tempo todo, o teu gosto e essa vívida memória do teu corpo contrastando com o meu. Se não sei ser, muito menos sei amar. E tua beleza desconcertante me leva ao choro cada vez que te vejo. Por isso sorrio tanto, para mascarar esse desconforto que é me derreter quando sinto teu olhar. Sei que a partida acontecerá tão repentinamente quanto a chegada e me preparo para esse momento. Nada te falo, porque nossos caminhos se cruzaram de forma inesperada, como tinha que ser. Queria muito te dizer: fique. Fique e me ame. Quem sabe não precisemos de mais nada. Mas sabemos que nunca é o suficiente. Minhas plantas continuam morrendo enquanto carrego essa dor que te é tão familiar. E se sobrevivemos a nós é por puro acaso. Mas te recebi e sei que agora preciso te deixar ir. Ensaio esse texto de despedida como em um teatro vazio. No hay banda. Adeus, amor, fique bem.

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