Títeres

“E como manejava bem os cordéis de seus títeres, ou ele mesmo, títere voluntário e consciente, como entregava o braço, as pernas, a cabeça, o tronco, como se desfazia de suas articulações e de seus reflexos quando achava nisso conveniência. Também ele soubera apoderar-se dessa arte, mais artifício, toda feita de sutilezas e grosserias, de expectativa e oportunidade, de insolência e submissão, de silêncios e rompantes, de anulação e prepotência. Conhecia a palavra exata para o momento preciso, a frase picante ou obscena no ambiente adequado, o tom humilde diante do superior útil, o grosseiro diante do inferior, o arrogante quando o poderoso em nada o podia prejudicar. Sabia desfazer situações equívocas, e armar intrigas das quais se saía sempre bem, e sabia, por experiência própria, que a fortuna se ganha com uma frase, num dado momento, que este momento único, irrecuperável, irreversível, exige um estado de alerta para a sua apropriação”

Samuel Rawnet. O aprendizado.

Quarentena, dia 4

Ontem bati panela e a sensação foi boa, mas me senti muito despreparada enquanto lembrava que na casa tinha caixa de som, megafone, prato de bateria e todo o tipo de instrumento musical que poderia fazer muito barulho. A vida segue em ritmo de fluxo de pensamento, misturando as coisas concretas do dia a dia com as mil ideias que circulam pela cabeça o tempo todo. Sempre foi assim, as pessoas não fazem ideia de tudo o que acontece aqui dentro, só eu sei, mas agora está fluindo como cachoeira, intenso e sem freio. Eu me preparei a vida inteira para esse momento, construí um casa com quintal, pomar, horta, ateliê, estúdio de música, espaço para as pessoas e os bichos, poderia viver meses confinada ali. Mas, então, a vida me passou uma rasteira e aqui estou, cuidando dos filhos e do cachorro trancada em um apartamento sem sacada. Neste perfil lidamos com o real, mesmo que nem sempre demos conta.

Em 20/03/20

Bizarre Love Triangle

Bastou encostar em você para que seu cheiro me impregnasse de novo. Não importa que tantos dias tenham se passado, continuo escrevendo cartas que nunca coloco no papel, pensando naquela conversa que nunca teremos, “waiting for that final moment you’ll say the words that I can’t say”. Bastaram 5 minutos ao seu lado para que tivesse de novo essa vontade insuportável de você, para me sentir íntima e ao mesmo tempo vazia, porque poderíamos ter sido tanto, ter sido tudo, mas nunca seremos, nunca mais seremos.

Karenin

[trecho de A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera]

“No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.

Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano – eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via-láctea – talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.

Tereza acompanha seu rebanho de novilhas, toca-as para a frente, mas há sempre uma a ser repreendida, pois as vacas jovens têm bom humor e se afastam do caminho para passear no campo. Karenin está com ela. Já faz dois anos que a acompanha no pasto. Em geral, se diverte muito sendo severa com as novilhas, latindo e ralhando com elas (seu Deus encarregou-a de reinar sobre as vacas e disso ela se orgulha). Mas hoje está andando com muita dificuldade, saltando sobre três patas; na quarta tem uma ferida que sangra. A cada dois minutos Tereza se curva e lhe acaricia o pêlo. Quinze dias depois da operação torna-se evidente que o câncer não foi debelado e que Karenin irá de mal a pior.

No caminho encontram uma vizinha que está indo para o estábulo, calçada com botas de borracha. A vizinha pára: – O que aconteceu com o seu cachorro? Parece que ele está mancando! Tereza responde: – Está com câncer. Está condenado – e sente a garganta apertar, quase não pode falar. A vizinha percebe as lágrimas de Tereza e fica indignada: – Pelo amor de Deus, não vai chorar por causa de um cachorro! – Não disse isso por maldade, é uma boa mulher, foi mais para consolar Tereza. Tereza sabe disso, mora no lugar há tempo suficiente para compreender que se os camponeses gostassem de seus coelhos como ela gosta de Karenin não poderiam matá-los e acabariam morrendo de fome no meio dos bichos. No entanto a observação da vizinha lhe parece hostil. – Sei – responde sem protestar, mas se apressa em dar-lhe as costas e continuar seu caminho. Sente-se sozinha em seu amor pelo cão. Pensa com um sorriso triste que deve escondê-lo mais secretamente do que escondesse uma infidelidade. O amor que se tem por um cachorro escandaliza.

Segue seu caminho com as novilhas que se esfregam umas nas outras, dizendo a si mesma que são bichos muito simpáticos. Pacíficos, sem malícia, às vezes de uma alegria pueril: parecem mulheres gordas, cinqüentonas, que fingissem ter catorze anos. Não existe nada mais comovente do que vacas brincando. Tereza as olha com ternura, e diz para si mesma (é uma idéia que lhe ocorre sem cessar há dois anos) que a humanidade é parasita da vaca, assim como a tênia é parasita do homem: agarrou-se à sua teta como uma sanguessuga. O homem é o parasita da vaca, essa é, sem dúvida, a definição que um não-homem poderia dar ao homem em sua zoologia.

Pode-se tomar essa definição como um simples gracejo e sorrir com indulgência. Tereza porém a leva a sério, e fica numa posição arriscada: essas idéias são perigosas e a distanciam da humanidade. Já no Gênese, Deus encarregou o homem de reinar sobre os animais, mas podemos explicar isso dizendo que ele apenas emprestou ao homem esse poder. O homem não era o proprietário mas apenas o gerente do planeta, e um dia teria de prestar contas de sua gestão. Descartes deu o passo decisivo: fez do homem “maître et propriétarie de la nature”. Que seja precisamente ele quem nega de maneira categórica que os animais tenham alma, eis aí uma enorme coincidência. O homem é senhor e proprietário, enquanto o animal, diz Descartes, não passa de um autômato, uma máquina animada, uma machina animata. Quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas o ranger de um mecanismo que funciona mal. Quando a roda de uma charrete range, isso não quer dizer que a charrete sofra, mas apenas que ela não está lubrificada. Devemos interpretar da mesma maneira os gemidos dos animais, e é inútil lamentar o destino de um cachorro que é dissecado vivo num laboratório.

As novilhas pastam no prado, Tereza está sentada sobre um tronco de árvore e Karenin estendida a seus pés, a cabeça recostada em seus joelhos. Tereza lembra-se de uma notícia de duas linhas que lera no jornal há uns dez anos: dizia que numa cidade da Rússia todos os cachorros haviam sido mortos. Essa notícia discreta e aparentemente sem importância tinha-lhe feito sentir pela primeira vez o horror que emanava desse imenso vizinho.

Era uma antecipação de tudo que viria depois: nos dois primeiros anos que se seguiram à invasão russa, não se podia ainda falar em terror. Já que toda nação desaprovava o regime de ocupação, era preciso que os russos encontrassem entre os tchecos homens novos e os levassem ao poder. Mas onde encontrá-los, uma vez que a fé no comunismo e o amor pela Rússia eram coisa morta? Foram procurar entre aqueles que alimentavam intimamente o desejo de se vingar da vida. Era preciso soldar, alimentar, manter alerta a agressividade deles. Era preciso primeiro treiná-los contra um alvo provisório. Esse alvo foram os animais.

Os jornais começaram então a publicar uma série de artigos e a organizar campanhas sob a forma de cartas de leitores. Exigia-se, por exemplo, o extermínio dos pombos numa cidade. Os pombos foram exterminados. Mas a campanha visava sobretudo aos cachorros. As pessoas estavam ainda traumatizadas com a catástrofe da ocupação, mas os jornais, o rádio, a televisão, só falavam nos cachorros que sujavam as calçadas e os jardins públicos, ameaçando a saúde das crianças, cachorros que não serviam para nada e ainda tinham que ser alimentados. Fabricou-se uma verdadeira psicose, e Tereza teve medo de que a população excitada se voltasse contra Karenin. Um ano mais tarde, o ódio acumulado (ensaiado primeiro sobre os animais), foi apontado para o seu verdadeiro alvo: o homem. As demissões, as prisões, os processos, começaram. Os animais puderam enfim respirar.

Tereza acaricia a cabeça de Karenin que descansa tranqüilamente em seus joelhos. Faz mais ou menos esse raciocínio: não existe nenhum mérito em sermos corretos com nossos semelhantes. Tereza é forçada a ser correta com os outros moradores da aldeia, ou não poderia viver ali; e, mesmo com Tomas, é obrigada a se portar como mulher amorosa, pois precisa dele. Nunca se poderá determinar com certeza total em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado de nossos sentimentos, de nosso amor, de nosso não-amor, de nossa complacência, ou de nosso ódio, e em que medida ele é determinado de saída pelas relações de força entre os indivíduos.

A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar), são as relações com aqueles que estão à nosso mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras.

Uma novilha se aproxima de Tereza, pára, e olha para ela longamente com grandes olhos castanhos. Tereza a conhece. Chama-se Marketa. Gostaria de ter dado um nome a cada uma das novilhas mas não pode, são muitas. Há uns trinta anos certamente teria sido assim, todas as vacas do lugar teriam um nome (se o nome é o sinal da alma, posso dizer que elas tinham uma, apesar de desagradar a Descartes). Mas a aldeia tornou-se uma grande usina cooperativa e as vacas passam a vida em dois metros quadrados de estábulo.

Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça de Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços.

Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo.

É este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, “senhora e proprietária da natureza”, prossegue sua marcha para a frente.”

Submersa

“É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo. É preciso aprender.
Há dias de sol por cima da prancha,
há outros, em que tudo é caixote, vaca,
caldo. É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, é preciso aprender
a persistir, a não desistir, é preciso,
é preciso aprender a ficar submerso,
é preciso aprender a ficar lá embaixo,
no círculo sem luz, no furacão de água
que o arremessa ainda mais para baixo,
onde estão os desafiadores dos limites
humanos. É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, a persistir, a não desistir,
a não achar que o pulmão vai estourar,
a não achar que o estômago vai estourar,
que as veias salgadas como charque
vão estourar, que um coral vai estourar
os miolos – os seus miolos –, que você
nunca mais verá o sol por cima da água.
É preciso aprender a ficar submerso, a não
falar, a não gritar, a não querer gritar
quando a areia cuspir navalhas em seu rosto,
quando a rocha soltar britadeiras
em sua cabeça, quando seu corpo
se retorcer feito meia em máquina de lavar,
é preciso ser duro, é preciso aguentar,
é preciso persistir, é preciso não desistir.
É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, é preciso aprender
a aguentar, é preciso aguentar
esperar, é preciso aguentar esperar
até se esquecer do tempo, até se esquecer
do que se espera, até se esquecer da espera,
é preciso aguentar ficar submerso
até se esquecer de que está aguentando,
é preciso aguentar ficar submerso
até que o voluntarioso vulcão de água
arremesse você de volta para fora dele.”

Alberto Pucheu

Nos queremos vivas

“Não quero flores. Não quero congratulações, nem tapinhas nas costas.
Quero um abraço da minha melhor amiga, de todas as minhas amigas e das mulheres que nem conheço. Quero o cheiro de todas as mulheres que já passaram por mim, de todas as mulheres. Quero mãos dadas com quem luta ao meu lado e a certeza de saber que sobreviveremos.”

Encontrei esse texto não publicado, nas lembranças do FB. junto com tantos outros que já escrevi sobre esse dia. Há textos otimistas, raivosos, utópicos, indignados, há tanta luta ali. Desde 2011 passei pelo “não quero flores, quero direitos” até chegar, hoje, ao “nos queremos vivias”.

Porque morremos como moscas, em feminicídios e abortos clandestinos. Morremos com a medida protetiva nas mãos, na violência doméstica, na precarização, na sobrecarga. Morremos todos os dias, de morte matada e de morte morrida.

E quando não morremos, apenas sobrevivemos. Não há dignidade em uma vida de quem recebe menores salários, não consegue andar sozinha na rua em segurança, não consegue estar dentro da própria casa em segurança. Não há dignidade para nenhuma mulher sob uma sociedade e um governo que nos quer subjugadas sob o machismo, o sexismo, a misoginia, o racismo, a transfobia, a lesbobifobia, a putafobia, o capacitismo, a pobreza e a precariedade.

Sob esse governo, que nos quer mortas, nós sobrevivemos de pirraça, um dia depois do outro. Que possamos continuar vivas, de mão dadas, sabendo que ninguém irá nos salvar a não ser nós mesmas.

Nós por nós, sempre.

Giovanni Marrozzini

Guia prático de convivência com mães

Todo mundo convive com mães, elas são nossas parentes, nossas vizinhas, amigas, nossas colegas de classe, de trabalho, de bar, de academia. As mães estão em todos os lugares, acompanhadas ou não de sua prole.

A mãe aqui é entendida como uma construção social, arquetípica e feminina. Pode ser mãe biológica ou adotiva, pois não é um ente da natureza, mas uma representação e uma concretude de quem ocupa o lugar da maternidade.

Há tempos queremos desconstruir essa maternidade, pautada num único modelo de família nuclear, mas enquanto isso não acontece precisamos lidar com a dor e a delícia de ser mãe.

Se você tem uma relação próxima com uma mãe, esse guia foi pensado para ajudar a se portar melhor perto de uma. Mas veja, esse texto não é sobre a sua mãe e a sua relação com ela. Pode até auxiliar, mas para você aprender a se relacionar com a sua mãe, faça terapia.

1. Toda mãe é, antes de tudo, uma mulher. Como tal, ela é um indivíduo singular dotado de desejos e necessidades cuja existência precede e extrapola a maternidade. Lembre-se sempre disso. Trate-a como um ser autônomo em toda e qualquer circunstância.

2. Não importa se você é uma autoridade no assunto ou se tem 20 anos de experiência, não dê conselhos não solicitados. Ninguém tem as próprias ações tão questionadas quanto a mãe, afinal todo mundo sabe como educar a cria alheia e fica dando pitaco em absolutamente todos os assuntos. É difícil, eu sei, mas não seja essa pessoa.

3. Se não tem nada positivo para falar, fique em silêncio. Essa mãe já está sendo criticada por absolutamente todas as pessoas, pode ter certeza. Nenhum comentário negativo que você faça vai ajudá-la, ao contrário, apenas reforça a sensação de fracasso e de que poderia estar fazendo melhor. Não estou nem falando da famosa culpa materna, mas do peso de ser 100% responsável por outra(s) pessoa(s).

4. Ofereça ajuda, é muito melhor do que se meter na vida alheia. Pergunte se há algo que pode fazer para aliviar a carga que essa mãe carrega. Mesmo que seja esporádico. Lembre-se que essa mulher está fazendo todo o trabalho afetivo do cuidado das crianças e, o que é pior, carregando toda a culpa por toda e qualquer coisa errada que aconteça com elas.

5. Relacionar-se com uma mãe passa por entender que essa mulher, em algum momento, desejou a maternidade. Isso não significa deixar de discutir maternidade compulsória, direitos sexuais e reprodutivos e o respeito para com as mulheres que não querem ter filhos. Mas o apoio ao movimento child free não dá a você o direito de dizer: odeio criança. Não gostar de criança não é um direito seu. É discurso de ódio. Estamos falando de um grupo extremamente vulnerável e dependente, NUNCA FALE QUE ODEIA CRIANÇAS. E vá já pra terapia lidar com isso aí.

6. Se você convive com uma mãe que trabalha, saiba que a vida profissional dessa mulher é atravessada pela maternidade e vice-versa. Isso significa que cada ato demanda o dobro de esforço e investimento. Sem falar na dupla (ou tripla) jornada. Essa mãe provavelmente estará sobrecarregada, pois fará tudo o que colegas de trabalho fazem e ainda cuidará de toda a função doméstica.

7. Se você se relaciona afetiva/sexualmente com uma mãe, além do respeito exigido em qualquer relação, tenha também uma dose extra de empatia. Essa mãe tem que se desdobrar para poder estar no rolê e, se for o caso, ainda estar disponível para o rala e rola. Ela escolheu estar ali, isso significa que você é especial de alguma maneira. NÃO DÊ OS CANOS NUMA MÃE.

8. Não importa se você faz parte de uma minoria privilegiada que teve a sorte de se reproduzir com um homão da porra, deuso da desconstruição e paizão presente e provedor, a maior parte das mulheres são mães solteiras ou mulheres que concentram todas as funções de criação e educação, afetiva financeiramente. Lidam com pais ausentes, egoístas, incapazes, infantilizados e, em certos casos, violentos, que além de todos os problemas concretos que causam, ainda fornecem um péssimo modelo de masculinidade. Lembre-se disso quando for perguntar porque a mãe acumula todas as funções e não “divide” com o pai.

No mais, pare de ser uma pessoa escrota e comece a tratar as mães como gente. E fica uma dica extra para todas as mulheres: