Del Rey

Hoje eu vi um Del Rey vermelho na rua e lembrei que minha tia-prima Cida tinha um Del Rey Jeans e me bateu uma saudade de um tempo em que era o máximo ter um carro jeans, tudo era tão ostensivo nos anos 80, cabelos, roupas, carros, objetos de decoração. Perdida em meio a tantas lembranças, pensei que nunca foi fácil, nem lá, naquele tempo em que deveria ter sido. Deveria ser obrigatório que crianças fossem felizes, até pra que a gente pudesse aguentar o tranco do que vem depois. Se nunca foi fácil, já foi bem mais difícil e sim, eu tenho uma escala de sofrimento para me assegurar de que, se estou bem longe dos meus melhores dias, também já não estou mais debaixo do alçapão do fundo do poço. Seguimos vivas, bem lascadas como sempre, mas seguimos juntas. Tem afeto, tem presença e hoje é dia de dançar. Não precisamos de mais nada, Helena.

Espera

Agora tenho esse corpo exausto, Helena, a mão que aperta o peito segue sufocante, não é justo que depois de tanta luta só me reste essa incapacidade. Como é possível dar tudo tão errado, nem piada é mais possível que se faça. Mas tenho uma passagem e uma promessa, e isso é só o que importa.