Em cólicas

Tenho essa amiga que é uma dama, sofisticada s educada, delicada e firme. Nos admiramos a distância, nem sempre cabemos uma na vida da outra, mas ela é sábia e generosa, o que já é mais do que suficiente. Sinto saudades de quem já fui, não sempre, mas há pedaços que me faltam, nada preenche. Tenho um livro para escrever e viver, que as deusas me ajudem.

Francês

Hoje eu boto a culpa toda nos hormônios, Helena, porque estava tudo dando tão errado e eu ali, impassível, até a hora que desmoronei sobre uma pia cheia de louça para lavar. É o governo, a fome, a falta de dinheiro, de perspectiva, de futuro, a minha incapacidade de resolver meus próprios problemas, nem os minúsculos, que dirá os gigantes, é a saudade, a distância, poderia ser tão simples, mas choro copiosamente há horas, as lágrimas ali rolando enquanto me afogo em pena de mim mesma. Eu escrevi uma carta de amor perfumada, obviamente só tem sentido pra mim, sou tão piegas quanto ridícula. Lembrei da minha professora particular de francês, que pessoa equivocada era aquela, não lembro o nome, mas o equívoco é inesquecível.