Dia dos Pais

Tenho um problema grande com essas datas comemorativas. Não apenas pela comercialização do afeto alimentada pela exploração capitalista, mas pela imposição de comemorar laços afetivos inexistentes.
Quem possui esses laços, sejam familiares ou de amor romântico, se sente especial – parte da casta vencedora.
Quem não possui sofre a inadequação, o não pertencimento, a exclusão por não compartilhar esses códigos de felicidade construída artificialmente.
Por isso, nesse dia dos pais, deixo essa reflexão:
“Toda mãe sozinha é uma mãe SOBRECARREGADA pela AUSÊNCIA de um pai.”

Há inúmeras situações que produzem mães-pais e pais-mães. A viuvez é uma delas, Pais que cuidam sozinhos das crianças – minoria – da mesma forma que crianças criadas por avós. Não são o foco, mas entram na questão por fazerem parte do debate sobre a criação coletiva das crianças.

A esmagadora maioria de “pães” que existem são de mães solteiras ou separadas que arcam sozinhas com toda a imensa responsabilidade de criar as crianças.
Precisamos mesmo parar de romantizar: nossa, que superação, que mulher incrível, que super- mulher e começar a compartilhar essa responsabilidade.

As mulheres vêm dando conta do recado há milênios. Não é essa a questão, mas a necessidade de pensarmos outras formas de criação e educação, compartilhadas, nas quais a responsabilidade não seja única e exclusivamente da mulher.
Maternidade compulsória, falta de planejamento familiar, criminalização do aborto, violência, abandono – a culpa é dela; deu, agora aguente; tivesse fechado as pernas… – e o homem sempre fora da jogada.

Eu não quero só dar os parabéns a todas nós mães solteiras que tivemos que dar conta de criar filhos sozinhas. Quero também pensar em construir uma realidade na qual novas configurações de família sejam possíveis, para que as pessoas (todas as pessoas, né, porque o mundo não é feito de casais hétero) só tenham filhos quando quiserem e possam tê-los sempre que quiserem.
E aí sim sejam excelentes cuidadoras, com muito amor.

Uma mãe possível

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08/05/16

Eu ia passar o dia em branco, só curtindo com as crianças, mas sentei agora pra escrever e lembrei dessa foto.
É uma das poucas fotos em que estamos abraçadas de maneira natural. E é um registro de um tempo no qual a nossa convivência ainda não tinha virado uma batalha diária.
Foi bem ali, no ano de 1988, que nossa relação começou a se transformar em outra coisa.
Veja, ao contrário de todo mundo que tá postando relato hoje, eu não tive a melhor mãe do mundo. Tive uma mãe possível. E se reconheço que ela se esforçou absurdamente para ser uma boa mãe, também reconheço que foi falha e humana em todas as suas tentativas.
Ali, aos 13 anos, comecei a desenvolver meus próprios interesses e minha mãe não dava conta de quem eu estava me tornando. Ela não me conhecia, não me entendia e não sabia o que fazer com a frustração de se sentir uma péssima mãe.
Meu mundo não cabia no dela e ela achava que de alguma forma era sua culpa. Foram anos de muita briga e rejeição.
A conciliação só veio quando eu me tornei mãe e ela pôde perceber que, de alguma forma, aquele caminho torto que eu tomei me levou para um lugar que ela conhecia.
Foi na maternidade que nós nos encontramos.

PS: Resolvi escrever porque vejo todos os dias a nossa crítica aos estereótipos, à maternidade compulsória, à nossa condição de mãe. Mas acho que a gente podia avançar bastante se desconstruísse esse ideal de mulheridade e maternidade começando pelas nossas mães.

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13/05/18

Trinta anos depois e ainda estou ressignificando a relação com a minha mãe. A maternidade, esse desafio diário, me aproxima cada vez mais dela. Porque também estou sendo um mãe possível e também não dou conta, na maioria dos dias. Se ela se aproximou de mim no sucesso – quando me tornei uma ótima mãe, eu me aproximo dela no fracasso – quando assumi que sou tão “menas main” quanto.
Da mesma forma, o divórcio também me colocou de frente com situações que ela viveu e as escolhas que fez – que eu nunca entendi ou aceitei. Então, numa “dialética dos afetos”, me encontrei no mesmo lugar de medo, rejeição e falta de amor no qual ela viveu por tantos anos. Estar ali foi muito doloroso, mas pude tomar decisões diferentes e seguir um outro caminho, transformando esse “destino” e compreendendo porque minha mãe conduziu sua vida como fez.
Não foi libertador, não houve “perdão”, mas um outro olhar pra nossa relação e pro meu lugar de mãe. Também me tornei uma mãe possível.

Ps: Continuo achando que precisamos cada vez mais discutir a maternidade, porque esse discurso de perfeição – para nossa mães e para nós – é muito nocivo.

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“Mother, did it need to be so high?”

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12/05/19

*Eu não gosto das grandes datas comemorativas, não só pelo apelo comercial, mas por nos obrigar a condensar um afeto em um único dia. No dia das mães eu sempre estava brigada com a minha e precisava a cumprir aquele rito sem sentido. Sempre odiei o dia das mães.

*Mantenho as comemorações por causa do Tom, mas acho que esse será o último ano. A relação avança e ele entende melhor como funciona o mundo. Não quero que ele também seja obrigado a me amar uma vez por ano.

*O Ian ainda diz que eu sou a melhor mãe do mundo, apesar de já ter entendido o que é ser uma mãe possível. Faço questão de explicar todas as falhas, os erros, e de pedir perdão pelos muitos vacilos. A gente faz o que pode do jeito que dá. Nem sempre funciona, mas é o melhor que podemos fazer. Agora tenho um filho adulto, ainda não sei lidar.

*O Tom ainda acha que eu sou a mãe mais chata do mundo. Mas agora ele já consegue conversar e expressar em palavras o que está pensando e o que está sentindo. Ontem ele pediu desculpas, muito sentido porque viu que fez algo errado e que haveria uma consequência. Esses dias ganhei um beijo espontâneo. Às vezes ele me chama de mamãe.

*Os últimos meses foram muito difíceis. Achei que tinha esgotado a minha cota de sofrimento durante a separação, mal imaginava que ainda haveria tanta dor pra doer. Sem nem piscar virei a mãe-leoa, faça para mim mas não faça para os meus. Sentir seus filhos sob ameaça é terrível. Foi exaustivo e assustador. E solitário. De repente queria um colo de mãe, aquele que nunca tive. Sem colo, sem mãe, fiz como sempre faço: me virei do jeito que deu. A maternidade tem sido a minha maior força, mas também a minha maior fraqueza. Não me define, mas me molda.

*Meu muro continua intransponível, tão alto. Precisava ser tão alto, mãe?

Porque eu vou participar da Marcha das Vadias CWB




Faltando exatamente uma semana para a Marcha decidi elaborar algumas coisas e fazer um exercício de síntese.
Hoje temos no evento do Facebook 8.482 pessoas afirmando que irão participar da Marcha, 11.388 pessoas que disseram que não irão e 2.291 que afirmam que talvez participarão.
Mesmo que tenhamos apenas umas 50 pessoas de fato no dia, mais de 20.000 homens, mulheres, gays, lésbicas, jovens, entre outros, refletiram sobre o movimento na cidade de Curitiba, no país e no mundo.


Alguns são bem desavisados, não tem a menor ideia do que está acontecendo; outros sabem exatamente do que se trata e mesmo assim se recusam a participar de tal semvergonhice…


Eu, que estou na vibe feminina e feminista desde o início do ano, ampliei meus horizontes e fui procurar entender um pouco sobre o mundo que nos cerca, nossas relações de gênero e todo o tipo de violência a que estamos sujeitas em nossas relações. 


Deparei-me com a produção acadêmica engajada e militante, a produzida na “torre de marfim” e o senso comum das redes sociais (e convenhamos que nossa mídia oficial também dá um show de senso comum e, o que é pior, de machismo mesmo).


Então, nessas minhas peregrinações pelos textos referentes ao universo feminino, descobri que o corpo da mulher é submetido historicamente e que no século XIX tornou-se “objeto de censuras que traduzem as obsessões eróticas de uma época e se inscrevem nas imposições da moda”, como afirma Michelle Perrot


Alguma semelhança? As obsessões eróticas de nossa época aparecem na fala do policial canadense, na piada do Rafinha Bastos, na entrevista do Bispo de Guarulhos ou no comentário da deputada Myrian Rios (você pode ler uma ótima análise de ambos aqui). 


Nossa sexualidade ganhou a esfera pública e todos tem alguma opinião a respeito. Seja quanto ao sexo consensual, ao uso do corpo, à exposição do corpo, ao estupro, à homoafetividade… 


E as opiniões que expressam atualmente revelam um padrão: o da heteronormatividade, que trata da identidade de gênero e suas variações não aceitas socialmente. Não há espaço para a sexualidade feminina, a menos que esteja submetida  à masculina. Não há espaço para a sexualidade homo, bi, trans  ou pan. Também não há espaço para a autonomia sobre o corpo. 


SUBMISSÃO – esta é a palavra que regula nossa ordem.


Confesso que alternei choque e indignação ao me deparar com tal realidade, mas a Marcha realmente ganhou vida para mim quando cheguei ao ponto fundamental do movimento: a violência contra a mulher. 


Mais do que pensar sobre a violência sofrida pela mulher branca, hetero, de classe média (que sou eu), passei a refletir sobre a violência sofrida por todas as mulheres. Então descobri que há anos as mulheres estão marchando e pude pensar bastante sobre por que existem mulheres estupráveis


Foi incrível discutir com o Júlio sobre isso, pois somos ambos frutos da mesma criação e dos mesmo preconceitos. A prostituta pode ser estuprada porque está sendo paga para isso? 


NÃO, NINGUÉM PODE SER ESTUPRADO!!!!!!!! Nem crianças, nem lésbicas, nem gays, nem travestis, nem empregadas domésticas, nem alunas de faculdade.


Esse é o ponto: absolutamente nada justifica a violência!!!!!!! 


Esse foi o resultado de minha reflexão. Tão óbvio, mas tão doloroso pensar sobre isso quando se percebe a verdadeira face da violência, quando deixa de ser um conceito abstrato e passa a falar de você. 


Foi quando cheguei aos números da violência em Curitiba. Números desencontrados, desatualizados, inexistentes, mas que revelam que existem casos de estupro em TODAS as faixas etárias de 0-60 anos ou mais. 


Isso mesmo, temos casos na faixa até 1 ano, de 1 a 4 anos, de 5 a 9 anos… E a faixa com maior número de registros é de 10-19. E maioria dos casos envolve alguém do círculo de relações da família (entre parentes e amigos).


Esses são alguns dos motivos pelos quais eu vou participar da Marcha. 
Há muitos outros. 
Não quero mais fazer parte da estatística das pessoas que muito reclamam e nada fazem, que se assombram com estes números, mas continuam acobertando casos de violência. Não quero que meus filhos cresçam em um mundo que justifica a violência contra o outro (seja ele quem for).


Quero exigir das instâncias de poder público ações concretas para reverter esse quadro. 
Quero exigir da sociedade discussão sobre esses temas, porque enquanto continuarmos sendo tratadas como vadias, enquanto pessoas públicas continuarem declarando seu preconceito impunemente, enquanto continuarmos reproduzindo condicionamentos sociais sem refletir sobre eles, continuaremos a ser violentadas, de todas as formas possíveis.



Você pode escolher o parto que quer e pode ter – o nascimento do Tom em casa

 

 

Desde que decidi que teria outro filho pensei em ter um parto domiciliar. Pelo fato de já ter feito um parto (quase) natural, me sentia bastante segura com relação a essa opção.
O primeiro passo foi convencer o Júlio:

– Veja, Amor, estamos nessa linha mais “natureba” e acho que um parto hospitalar vai contra tudo o que estamos vivendo. Todas as mudanças dos últimos anos (alimentação o mais natural possível, trocar a alopatia pela homeopatia, abandonar definitivamente os analgésicos, muita terapia, para deixar as neuroses de lado…) estão nos encaminhando para isso… Você não acha?

Por incrível que pareça, ele topou e embarcamos na “viagem” do parto domiciliar. Decidimos não contar para ninguém, porque sabíamos que era algo “muito radical” e que o medo de que algo desse errado poderia nos contaminar.

Primeira questão: quem será o médico que fará o parto? Depois de alguns contatos, chegamos até a doutora Betty.

Eu já fazia um pré-natal no hospital militar, com o doutor Álvaro, mas só para pesar e medir. A doutora Betty me ajudou na dieta (para evitar anemia), receitou florais, indicou a yoga e fez várias considerações bacanas. Mas com relação ao parto mesmo, nada.

Quando eu já estava no 6º mês participei de um encontro de grávidas no espaço Aobä e foi lá que tudo mudou. Nesse dia, o tema era o parto natural e elas falaram tudo sobre ocitocina, adrenalina, expulsão, respiração, dilatação… E a Thalia ainda fez uma dramatização do comportamento da mulher na hora do parto. Eu saí de lá maravilhada e comentei com o Júlio: por que é que ninguém me falou isso antes? Que a pior posição para parir é a vertical, pois impede a completa abertura do quadril para a passagem do bebê. Que dói mesmo e que a dor tem um papel importante no processo hormonal. Que aquela hora que a gente acha que vai morrer e pede “peloamordedeus alguém tire esse bebê daí que eu to morrendo” é a hora da expulsão mesmo e o babe já vai nascer…

Passamos o final do ano na praia e quando voltei de viagem, na consulta de rotina, o balde de água fria: veja bem, o bebê virou na última eco… tudo bem que ele já desvirou, mas agora você já está com idade e o seu primeiro parto já foi há muito tempo… Ah, ta, não posso fazer o parto em casa porque eu fiz 35 anos no mês passado e agora estou velha para parir?

Saí de lá, como boa grávida, me sentindo a última das últimas… E fui para outra reunião da Aobä. Contei a conversa com a médica e disse que iria procurar opções… Ao sairmos, conversei com o Júlio: e se a gente fizesse o parto com eles? Gostei tanto de todo mundo, a proposta tem tudo a ver com o que a gente pensa… E o Tom poderá nascer em casa…

No dia seguinte a Luciana (coordenadora do espaço) me ligou para dizer que eu não desistisse e eu disse que queria contratá-los para o parto.

A partir dali, tudo lindo! Conversas com toda a equipe (Luciana, Mario, Thalia e Andréa) sobre o que é o parto ativo, o que implica a mudança de paradigma de que quem faz o parto É A MÃE e não o médico, a enfermeira, a parteira… Fiz algumas ecos para garantir que estava tudo ok (porque nas últimas semanas a gente fica neurótica de tanta ansiedade) e fizemos consultas em casa mesmo.

Fui a mais uma reunião de grávidas e levei para casa a bola de pilates (que é a salvação das contrações!). Eu estava sentindo muitas dores naquela semana, mas era o movimento do Tom dentro da barriga. Ele já estava encaixado e “virava” de um lado para o outro, o que doía MUITO. Dois dias depois da reunião eu acordei com dor. Como já havia sentido isso, calmamente comecei a contar. Uma, mais uma, mais uma. Levantei, peguei um celular que estava próximo e fui contanto (sem óculos no escuro é dureza…) 05:32, 05:43, 05:54, 06:05…

Ai, acho que é agora. Acordei o Júlio, avisando: Amor, “amora”… O quê? Tá brincando!!!… Não, amor, ta na hora… E o que é que eu faço? Passa um café e vamos arrumar as coisas.

Levantamos e começamos a preparar o quarto. O Ian estava dormindo conosco, então o passamos para o quarto dele (reclamando: por que o passeio noturno?…) desmontamos a cama e colocamos a nossa na posição para dar lugar para a banheira que seria montada no quarto mesmo. Ligamos o playlist Rockaby, com versões de caixinha de música das nossas bandas favoritas: Ramones, Radiohead, Metalica, Bjork, muito rock-bebesístico para ele nascer calmo ao som de boa música.

Quando estava tudo pronto, liguei pra Lu: qual é o tempo das contrações? 11 minutos. Já tomou banho? Não. Então toma o banho e vê como ficam as contrações, vou arrumando tudo.

Saí do banho e liguei de volta (já eram umas 7:20). Coloquei um camisetão, shorts e meias e fiquei sentada na bola de pilates, abençoada, balançando para aliviar as contrações. A Lu e o Mario chegaram e começaram a preparar a banheira. O Ian ficou um pouco ansioso e achamos que era melhor ele ir para a natação, pois eu também estava começando a ficar incomodada…

Decidi me esticar um pouco no colchão, alongando as costas e o Júlio fez massagens na lombar, mas logo voltei para a bola. A banheira estava montada e a Lu por ali, com o Ayssô, seu bebê que tinha pouco mais de um mês, me observando, mas sem interferir.

Quando começou a doer muito mesmo, perguntei se já podia entrar na banheira. Não estava cheia, mas a Lu disse que ia ajudar a aliviar a dor. E como ajudou! Tirei a roupa, entrei na água, super quente, e nas primeiras contrações a bolsa rompeu! Senti começar expulsão e avisei: ta na hora.

Comecei a me incomodar com a dor e decidi ficar de joelhos. Fiquei apoiada na borda da banheira e o Júlio do lado de fora, na minha frente segurando os meus braços, fazendo força junto comigo. As contrações da expulsão foram rápidas e logo senti a cabeça do Tom sair. Emocionado o Júlio pergunta: o que é que eu faço??????? E a Lu: nada, não faz nada.

Ele me apertou segurando as minhas mãos, com os braços sobre os meus e a gente fez mais uma força juntos. Na próxima contração eu já senti o Tom girando enquanto o seu corpinho ia saindo. A Lu o pegou na água enquanto eu sentava e o colocou no meu colo. Eu quis dar o peito, mas ele estava tão relaxado que não pegou. A Lu fez uma massagem e aspirou o nariz, soprando um pouco de ar, pois na minha movimentação ele poderia ter aspirado a água da banheira. O cordão ainda não tinha sido clampeado, então sabíamos que ele estava recebendo oxigênio. Logo ele abriu os olhos e ela o devolveu para mim e então ele mamou.

Tive que sair da banheira, por causa da expulsão da placenta e só então lembramos de olhar as horas! (9:45) Fui “transferida” para a minha cama, com ele nos braços e fiquei recostada, ele de olhos bem abertos, mamando e observando tudo! Logo chegou a Andréa, enfermeira, que ajudou a decantar a placenta, cortar o cordão e deu os pontos na laceração da pele da vagina.

O Ian chegou em seguida e ficou apaixonado! Mas ele é uma gracinha! Dizia todo emocionado…

Ficamos umas duas horas nessa energia. O apgar foi feito no meu colo. Ele foi pesado e medido em nossa cama. Eu e o Júlio demos o primeiro banho (que foi uma odisséia, porque era muita mão dentro do balde para segurar o pequenino).

E assim o Tom veio ao mundo: em casa, sonhando, com toda a segurança e tranqüilidade de não depender de uma intervenção para forçá-lo fora do seu tempo. Todos nós saímos fortalecidos, empoderados. Uma força inacreditável nos uniu, com laços bem fortes, de amor e de confiança.