Remando em um barco furado

Esses dias uma amiga querida postou essa imagem e eu fiquei tão emocionada que salvei pra poder comentar depois. Eu sou uma pessoa pessimista, todo mundo sabe, tô esperando o meteoro faz um tempo já. Não acho que vencer a eleição vai resolver nossos problemas, que as instituições sirvam pra qualquer coisa que não seja pra nos controlar, muito menos que vai aparecer alguém pra nos salvar. Mas queria muito compartilhar algo com vocês. 

Essa campanha do segundo turno está sendo a coisa mais linda que já vi em anos. É claro que tem muita violência e sofrimento, principalmente por causa de pessoas amadas e próximas que estão optando por votar no fascismo e na necropolítica. Mas também tem um tipo de união novo, que é a união do diferente.

Além dos posts sobre as ações do Vira Voto, que são belíssimas, estou acompanhando (aqui na minha bolha) o quanto pessoas dos mais diferentes espectros políticos estão mobilizadas em não deixar o ódio vencer. 

Tem gente que sempre foi conservadora, direita raiz mesmo (e tá fazendo campanha), tem anarquistas (que nem votam, mas estão fazendo campanha), tem gente que sempre, sempre criticou o PT (e tá fazendo campanha), tem gente que nunca na vida se manifestou sobre política (que agora está dedicada integralmente ao vira voto), tem gente que nem acredita na democracia burguesa, pessoas de diferentes expressões religiosas, muitas pessoas que não são “minorias” , mas que estão lutando por todes.

E tão importante quanto a diversidade de sujeitos está sendo a diversidade de estratégias. As pessoas estão se abrindo para o diálogo, para o debate, para a troca e a INTERLOCUÇÃO. Estamos, finalmente, nos ouvindo. Argumentando, apresentando fatos, dados, de maneira respeitosa e afetuosa. E ouvindo os anseios do outro.
E mais, estamos fazendo isso de maneira coletiva. 

Espero muito que, independente do resultado de domingo, esse seja o nosso combustível para os próximos anos. Que a gente consiga manter essa potência de escuta e de afeto, que as nossas estratégias sejam mais inteligentes, mais divertidas, mais convergentes. Que a gente mantenha o autocuidado, a saúde mental, o hábito de se distanciar de pessoas tóxicas e a capacidade de dançar, rir, conversar e se abraçar.
Que fiquemos bem, vivas e potentes, porque a luta está só começando.

Bjo 

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