Eu ia passar o dia em branco, só curtindo com as crianças, mas sentei agora pra escrever e lembrei dessa foto.
É uma das poucas fotos em que estamos abraçadas de maneira natural. E é um registro de um tempo no qual a nossa convivência ainda não tinha virado uma batalha diária.
Foi bem ali, no ano de 1988, que nossa relação começou a se transformar em outra coisa.
Veja, ao contrário de todo mundo que tá postando relato hoje, eu não tive a melhor mãe do mundo. Tive uma mãe possível. E se reconheço que ela se esforçou absurdamente para ser uma boa mãe, também reconheço que foi falha e humana em todas as suas tentativas.
Ali, aos 13 anos, comecei a desenvolver meus próprios interesses e minha mãe não dava conta de quem eu estava me tornando. Ela não me conhecia, não me entendia e não sabia o que fazer com a frustração de se sentir uma péssima mãe.
Meu mundo não cabia no dela e ela achava que de alguma forma era sua culpa. Foram anos de muita briga e rejeição.
A conciliação só veio quando eu me tornei mãe e ela pôde perceber que, de alguma forma, aquele caminho torto que eu tomei me levou para um lugar que ela conhecia.
Foi na maternidade que nós nos encontramos.
PS: Resolvi escrever porque vejo todos os dias a nossa crítica aos estereótipos, à maternidade compulsória, à nossa condição de mãe. Mas acho que a gente podia avançar bastante se desconstruísse esse ideal de mulheridade e maternidade começando pelas nossas mães.
Mãe (2016)

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