Mais uma mudança e toda a história da minha vida passando na minha frente: o abandono, as péssimas escolhas, os erros meus e os do universo, uma história de equívocos, mesmo que eu continue tentando tanto e com tanta força. Às vezes desisto de tentar e volto a rolar como o feno do filme de … Continuar a ler Mudança
Autor: microcelebridade
Desmaio
Uma atleta desmaiou na água. Quantas perguntas cabem nessa frase? O que acontece com um corpo que desmaia? Eu desmaiaria de cansaço e de tristeza. Será possível?
Vastidão
Eu me imagino em vídeo, fundo preto para ressaltar a fumaça, o cigarro na mão que gesticula sem parar. Uma senhora que poderia ter sido elegante, agora parece aquelas velhas de bar falando obscenidades e algumas frases de efeito e sabedoria de quem já viveu tudo. A solidão e o rosto devastado de Duras. Ninguém … Continuar a ler Vastidão
Estrago
Esgotei as metáforas, qualquer coisa que se diga agora já foi repetida exaustivamente por aqui. Sigo sendo soterrada por avalanches simbólicas, mas a dor é real. O insight de ontem gerou um desastre tão absurdo, a lage cedendo enquanto eu dormia, que só acordei depois de ter corrido para fora do quarto e voltado para … Continuar a ler Estrago
Dor
Bom dia, Helena, chuva, frio e esse peso em mim, meu coração. Já não lembro quem, nem quando, mas lembro. Esse corpo que agora é só dor, essa vida que hoje é só precária. Nadar e morrer na praia, que expressão horrível. Mas não morremos todos? Como Darcy, eu não queria nunca estar do lado … Continuar a ler Dor
Alberto
Bom dia, Helena, eu continuo buscando salvação, não mais em um deus que pouco de importa conosco, mas cada vez mais nas pessoas. E nas palavras. Hoje elas me chegam com saudades na sua voz que eu tanto amo. Na nossa esperança em dias melhores. Chegam também pela voz grave de Alberto Pucheu lendo Quintana. … Continuar a ler Alberto
Coisas estranhas
Ontem deu, Helena, mesmo com toda a dor e desesperança, ontem deu. Teve interlocução e afeto e escuta e presença, teve afago distante, não preciso de mais nada.
Boiando
A morte vem, Helena, no camburão, na favela, vem pro preto, vem pro pobre, pra quem não tem nada a ver com aquilo. A morte vem pra quem não consegue nadar.
Cabos
A vida segue seu curso, Helena, mesmo que eu esteja soterrada de trabalho e medo, mesmo que mais uma vez não possa fazer o curso do Carlito, mesmo que a saudade aperte e eu passe o dia com os olhos marejados. Exaustas venceremos, eu poderia dizer, mas nem eu ouso me enganar assim. Hoje passei … Continuar a ler Cabos
Feito a mão
Todas as cartas de amor são ridículas, não é Helena? Eu mudaria para todas as pessoas que amam são ridículas, porque olha, dias costurando e descosturando um presente, nem Penélope aguentaria, só pensando na metáfora para a minha vida: torto, mal acabado, sem molde, umas partes feitas erradas e remendadas por cima, um esforço gigantesco … Continuar a ler Feito a mão