Minha Pessoa

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. E mais ainda, de pouquíssimas amigas. Mas as amizades que consegui criar e manter na vida foram profundas e intensas. Até o dia em que conheci a minha pessoa.

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Você não assiste Grey’s Anatomy, mas entendeu a referência e incorporou ao nosso relacionamento. E por isso nos tornamos o melhor casal. Juntas rebolamos até o chão, fazemos cospobre, passamos por todos os fracassos possíveis e imagináveis.

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Mesmo não sendo pessoas de abraços, nos abraçamos e nos dizemos que vai dar tudo certo. Nos encontramos no ódio e na falta de paciência com o mundo, na amargura de quem tá lá segurando um forninho por dia.

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Nos amamos em memes e dates furados; nos coostentamos porque só nós sabemos da beleza que tem nesse mundo das trevas em que vivemos.

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Eu não teria sobrevivido a esse ano sem você que me arrancou da cama, aguentou o choro, a tristeza, os boy lixo, a crise com os filhos, com o ex, com o atual, com o novo ex, com o trabalho, com o mundo.

Foi pro bar, pro show, pra balada, pra rua, pra academia. Se tornou parte da minha nova família.

Te amo, Amiga, nunca deixe que ninguém diga que você não é Lymda, Dyva, Plena, Maravilhosa, Inteligente e a melhor amiga que alguém pode ter.

Esse não é um texto de superação.

Tendo passado boa parte da vida acompanhada de discursos de autoajuda e de que todas as tretas que a gente enfrenta vêm para nos ensinar alguma coisa, desenvolvi o estranho hábito de esperar a hora da virada. Aquele momento mágico em que você acorda bem, depois de muitas horas de sono revigorante, plena de aprendizados e maturidade, toda trabalhada na superação. Cantando “The dog days are over”.

Mas não é assim que a banda toca, né? Normalmente o viver envolve aguentar, um dia depois do outro, um arrastar-se sobre comiseração e problemas intermináveis, numa tentativa de se equilibrar na corda bamba da sanidade, rezando (às vezes literalmente) para que não piore mais. Mas piora, ahhh sempre piora.

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Então, veja, eu me encontro nessa situação: “comemorando” um ano do fim do meu casamento, sem estar nem perto da possibilidade de ressurgir das cinzas num estilo extreme make over. Bem que eu queria aparecer toda linda and jovem, como se nada tivesse acontecido, as pessoas dizendo “nossa, como vc tá ótima!”.

Mas não rolou e o lidar com a vida também exige encarar que muitas vezes você não dá conta e tá tudo bem. Por isso resolvi escrever esse post. Pra começar o caminho inverso, pensando na jornada e não na chegada.

Sim, Daniel San, há um longo percurso na estrada da superação que não passa por plot twists mirabolantes e maravilhosos. Se a vida não é um filme hollywoodiano em que entra a trilha sonora da bad, aparece você chorando enquanto lava a privada ou queima as fotos do casal, e depois tá tocando “I will survive” e você tá toda linda passeando em Paris, então é preciso trilhar uma estrada diferente.

Hoje percebo que a minha jornada iniciou durante o doutorado, quando comecei a ler sobre a potência do fracasso e passei a repensar minha própria relação com o sucesso. Porque, por incrível que pareça, num determinado momento da minha vida eu comecei a ser reconhecida como uma pessoa bem-sucedida. Um casamento ótimo, super mãezona, profissional competente, milituda lacriany. Mesmo tendo sido vida loka durante tanto tempo, parece que eu tinha “dado certo” na vida.

Mas daí que não era nada disso. O casamento tinha milhares de problemas, a maternidade gerava crises de ansiedade, a competência profissional criou um sintoma de perfeccionismo que se tornou uma armadilha perigosíssima e a militância… bom, deu no que deu (pra todas nós).

Mas nada disso aparece nas redes sociais. Por mais que a gente saiba que é tudo pose, que só mostramos nosso melhor, que é preciso estar atenta e forte para não cair nas armadilhas da visibilidade e do capital simbólico, a gente faz parte da rede e se comporta de acordo. Aos poucos fui aprendendo a expor os dilemas e agruras da vida cotidiana e agradeço muitíssimo às amigas maravilhosas que me ensinaram que falar sobre os nossos processos de dor, medo e fracasso também faz parte da convivência em rede.

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Então, em 2016 eu estava assim, assoberbada com a rotina de trabalhar 40 hrs, cuidar dos filhos e da casa, dos mil compromissos e ainda escrever a tese. Consegui às custas da minha saúde mental, do meu casamento e de toda a vida que eu havia construído. Depois da defesa, eu estava esperando o turning point  que seria vivido plenamente na virada do ano. Férias, tempo para parar, respirar e acertar o prumo. Acreditava mesmo que poderia retomar tudo o que estava em suspenso há tanto tempo.

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“Eu adoro essa foto. Não porque estou toda linda e cabeluda fazendo a Tieta nas dunas de Mangue Seco, mas porque ela representa muito da minha força e resiliência. Foi tirada há 20 anos e marca um ponto de virada fortíssimo na minha vida. Esse sorriso era o primeiro que eu dava em muito tempo, pois estava saindo do fundo do poço após a separação dos meus pais, um término de namoro muito traumático e um processo depressivo que resultou em um emagrecimento extremo.
Tudo em mim mudou naqueles anos: meu rosto, meu corpo e minhas ideias. Ainda sinto saudades de quem eu era.
Lembrei dessa foto por dois motivos: primeiro porque contei essa história no bar por esses dias e me orgulhei de novo de mim mesma por ter sobrevivido. Segundo porque me perguntaram hoje como está a vida pós-tese e percebi que estou em um lugar bem próximo do que eu estava há 20 anos. O processo de vivência da Marcha e da escrita da tese foi muito intenso e sofrido, porque mobilizou toda a minha história de vítima-sobrevivente e provocou mudança, tirou meu chão. Nem sei bem onde estou, o que sei é que não gosto desse lugar. Não por causa dos cabelos brancos, mas por causa das ideias duras e secas. Já me avisaram, cuidado para não adoecer.
Bem, adoecida já estava, agora estou no processo de cura. O que inclui também sair desse ambiente tão tóxico.
Minha despedida está sendo a conta-gotas, eu sei, mas faz parte do processo.
Quando voltar, pretendo ter um novo sorriso me esperando ;)”

Esse texto foi escrito em novembro de 2017, aguardando o momento de superação. Que nunca veio. Terminei o ano em processo de separação, totalmente devastada e sem nenhuma perspectiva de nada. Em 2018 aluguei um apartamento e tive que criar (para mim e para os meninos) um novo lar. Ao deixar para trás um projeto de vida construído ao longo de 15 anos, precisei repensar absolutamente tudo sobre quem eu era e o que eu queria.

E é assim que o caminho funciona. Não é linear, nem está traçado. Vamos abrindo as clareiras com facão, nos cortando e machucando sem chegar em algum lugar seguro. Às vezes paramos, sem saber se é o certo, se é o melhor caminho, se não estamos andando em círculos, se chegaremos em algum lugar. Às vezes nos perguntamos porque não pegamos aquela estrada florida e asfaltada que estava ali atrás. Não há como saber.

Mas a grande questão, para mim, foi não percorrer o caminho sozinha. Tive ao meu lado pessoas muito, mas muito especiais que me acolheram nos piores momentos. Que me acompanharam na dor, no choro, na insônia, na descrença, na falta de auto-estima, no fracasso. Conseguir me abrir para essas pessoas foi outra etapa muito difícil. Eu não gosto de gente, sou extremamente fechada e indisponível afetivamente. Mas talvez o instinto de sobrevivência tenha falado mais alto.

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Escrever tem me ajudado muito também. A maioria das coisas que escrevo nem publico, ficam guardadas em cadernos, agendas e arquivos do word sem título. O que foi publicado aqui está repleto de dor e tristeza, porque foi o que vivi todos os dias durante esse ano. E me surpreendi com o impacto que o texto  Não me chame de guerreira teve (vou escrever mais sobre isso). Mas tive momentos felizes também, que serviram para que eu me lembrasse de que tenho sobrevivido a todos os meus piores dias.

E me parece que esse é o caminho. Pintar para cima e para baixo, esfregar com a direita e depois com a esquerda. A superação talvez venha, quando menos esperar. Essa também é a potência de viver um dia de cada vez. Lidar com o que tem pra hoje. Festejar as pequenas vitórias como conseguir dormir 6 horas seguidas ou fazer três refeições. Dançar e rir como se ninguém estivesse olhando. Ouvir Belchior olhando as nuvens. Assistir a um filme abraçada com os filhos no sofá.

Ninguém falou que ia ser fácil.

 

Sonhos

Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo

Conversa no Messenger: Arquivar ou Excluir? Excluir

E de repente eu me vi assim: completamente seu

Facebook: deixar de seguir

Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não tem caminho, eu não me acho

Whatsapp: Apagar conversa com ‘+ 55 21 XXXXXXXXX’? Apagar

Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia

Tem certeza que quer excluir Eu te amo?
Nota: a exclusão de playlists é uma ação permanente e não pode ser desfeita.

 

Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia

Instagram: Deixar de Seguir

Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho

Twitter: Deixar de seguir

Mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar

Cartas e Posts: Enviar para a Lixeira

Quando a canção se fez mais forte, mais sentida

Mensagens de SMS: Selecionar todas. Excluir

Quando a poesia fez folia em minha vida

Email: conversa enviada para a lixeira. Esvaziar Lixeira.

Você veio me contar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

Pasta de fotos de casal, nudes, prints e declarações de amor: Mover para a lixeira?
Essa ação não poderá ser desfeita.
Sim.

 

Coração na mão

Eu me tornei uma pessoa de hábitos. Depois de anos de vida louca, completamente desregrada, acabei me rendendo a uma rotina que me organiza e me acalma. Obviamente, o mérito não é meu. A ordem veio com os filhos, o trabalho, as responsabilidades da vida adulta. Hoje acordei bem mais cedo do que gostaria, depois de (mais) uma noite mal dormida. Tom sempre me acorda cedo, ansioso pela companhia e por não perder tempo nenhum da vida. Passo café, desejo bom dia para o meu amor, tão longe, tanta saudade. Enquanto tomo várias canecas de café quente busco algum conforto para o dia que começa. O que me resta é manter a normalidade. Gostaria de nem tirar o pijama, mas visto o uniforme jeans-camiseta-tênis e me preparo para sair. Pego meu coração*, penduro no pescoço e me ponho em movimento. Cruzo com pessoas segurando livros, o coração aquece, o mesário com a camiseta Resist de Roger Waters, eu segurando meu coração na mão, um sorriso de cumplicidade. Em casa, esfrego roupas num tanque cheio. Hoje tem comida de afeto, feita com todo o cuidado para não contaminar com a tristeza**. Uma última conferida na rede antes de partir. Como eu amo essas pessoas que nem me conhecem, que seres incríveis com quem eu tive o privilégio de compartilhar essa existência.  Lá estava a “Cantata para um bastidor de utopias”, avisando que ainda cabe sonhar.*** Lá estavam tantos, tantos livros. Olho para os meus e penso na edição de “1968: o ano que não terminou”, que dei de presente para uma aluna. Lembro da professora de Antropologia contando que teve que enterrar os livros no quintal para não ser presa e que o primeiro livro que comprei na faculdade foi “Dicionário do pensamento marxista”, segura de que nunca seria presa por isso. Penso em todos os livros que não comprei, que não li, se haverá tempo ainda para chegar nos milhares de pdfs baixados ao longo dos anos. E que, obviamente, minhas estantes me incriminam em todo e qualquer aspecto, da política à pornografia. Sorrio sozinha, orgulhosa. Faço um bolo de chocolate, escrevo, trabalho e me pergunto se realmente haverá festa com o que restar.****As instituições funcionam normalmente, disseram, mas tenho uma playlist que se chama “não irão nos matar”, e nessa distopia o que precisamos é saber que tudo está normal, mesmo que haja alguma coisa fora da ordem. Nós temos livros e bordados, dança, abraços e poesia. E uma coragem ousada que não se deixa abater. O medo caminha ao lado, por certo, mas Chico já nos disse que amanhã vai ser outro dia. Eu sigo em frente para não morrer de dor. Sempre foi assim. Mas há algo que eu aprendi nesses anos todos: mesmo com lágrimas nos olhos, seremos máquinas de guerra.***** Eu sei quem caminha ao meu lado. Continuamos na luta, pro que der e vier.

 

 

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*O coração foi um presente de Lena Muniz, uma amiga-artista maravilhosa

https://www.instagram.com/lenamuniz1/?hl=pt-br

**Desde de assisti “Como água para chocolate” tomo esse cuidado. Às vezes não funciona.

*** “Bordar, num pano de Linho
Um poema Tambor que desperte o vizinho.
Pintar, no asfalto e no rosto
Um poema alvoroço que adormeça a cidade.
Dançar com tamancos na praça
Cantar, porque um grito já não basta
Esfarrapados, banguelas e
Meninos de rua, poetas, babás.
Vistam seus trapos, abram os teatros,
É hora de começar:
Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.
Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.”

 

****  Livro de Francisco Mallmann

***** https://www.facebook.com/events/1629366873807208/

 

Remando em um barco furado

Esses dias uma amiga querida postou essa imagem e eu fiquei tão emocionada que salvei pra poder comentar depois. Eu sou uma pessoa pessimista, todo mundo sabe, tô esperando o meteoro faz um tempo já. Não acho que vencer a eleição vai resolver nossos problemas, que as instituições sirvam pra qualquer coisa que não seja pra nos controlar, muito menos que vai aparecer alguém pra nos salvar. Mas queria muito compartilhar algo com vocês. 

Essa campanha do segundo turno está sendo a coisa mais linda que já vi em anos. É claro que tem muita violência e sofrimento, principalmente por causa de pessoas amadas e próximas que estão optando por votar no fascismo e na necropolítica. Mas também tem um tipo de união novo, que é a união do diferente.

Além dos posts sobre as ações do Vira Voto, que são belíssimas, estou acompanhando (aqui na minha bolha) o quanto pessoas dos mais diferentes espectros políticos estão mobilizadas em não deixar o ódio vencer. 

Tem gente que sempre foi conservadora, direita raiz mesmo (e tá fazendo campanha), tem anarquistas (que nem votam, mas estão fazendo campanha), tem gente que sempre, sempre criticou o PT (e tá fazendo campanha), tem gente que nunca na vida se manifestou sobre política (que agora está dedicada integralmente ao vira voto), tem gente que nem acredita na democracia burguesa, pessoas de diferentes expressões religiosas, muitas pessoas que não são “minorias” , mas que estão lutando por todes.

E tão importante quanto a diversidade de sujeitos está sendo a diversidade de estratégias. As pessoas estão se abrindo para o diálogo, para o debate, para a troca e a INTERLOCUÇÃO. Estamos, finalmente, nos ouvindo. Argumentando, apresentando fatos, dados, de maneira respeitosa e afetuosa. E ouvindo os anseios do outro.
E mais, estamos fazendo isso de maneira coletiva. 

Espero muito que, independente do resultado de domingo, esse seja o nosso combustível para os próximos anos. Que a gente consiga manter essa potência de escuta e de afeto, que as nossas estratégias sejam mais inteligentes, mais divertidas, mais convergentes. Que a gente mantenha o autocuidado, a saúde mental, o hábito de se distanciar de pessoas tóxicas e a capacidade de dançar, rir, conversar e se abraçar.
Que fiquemos bem, vivas e potentes, porque a luta está só começando.

Bjo 

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Amar em tempos de cólera*

Haja amor.

É preciso cultivar afetos. Dissidentes, desobedientes, potentes. Manter a cabeça erguida e a coluna ereta, o peito aberto para enfrentar o que vem pela frente. Há uma história forte que nos precedeu e que nos forjou, de um jeito ou de outro, para o que enfrentaremos a partir de agora.

Se há algo que aprendemos com as pessoas que lutaram antes de nós, é que precisamos manter nossos afetos livres e utópicos. Eles têm medo. Dos nossos corpos desejantes, da nossa audácia desavergonhada.

Têm medo da ousadia que luta, que dança, que transa, que ajuda, que abraça e protege. Do glitter, do glamour, da festa, da solidariedade, do riso. De quem sobrevive à revelia da própria sorte.

Quanto mais livres somos, mais incomodamos quem vive do recalque e da repressão do desejo. O ódio se sustenta nesse medo e vai produzindo uma moralidade tosca que procura, a partir do controle de corpos, corações e mentes, dominar e eliminar o outro. Esse outro subalternizado que sempre fomos.

A estrutura patriarcal, racista, homotransfóbica, colonial, nunca deixou de existir. Nós temos avançado tão pouco, mas mesmo assim ameaçamos a ordem social criada pra nos subjugar. Mas não nos entregamos. E somos uma multidão.

É tempo de nos protegermos, de nos unirmos e nos acolhermos. Fugir da prisão desse medo que nos controla e submete. E nos mantermos vivas. Quando tudo mais desaba ao nosso redor, são nossos afetos que nos mantém de pé.

Que o amor seja nossa maior arma e que estejamos próximas. Nossas redes já foram costuradas, só precisamos deixá-las agir. A gente se encontra no inbox, no bar, no café, na rua.

Continuamos juntas. Sempre.

 

*Licença poética. Obrigada, Gabo, pelo melhor título ever.

Não existe o pós-colonial*

As caravelas continuam chegando carregadas de quinquilharias neoliberais que nos empurram goela abaixo enquanto observamos, em desespero, as chamas que consomem a falácia da civilização. Nós, que somos apenas mais uma engrenagem na máquina de moer gente, choramos sobre as cinzas de uma história que nunca mais será contada. Enquanto a ferida da colônia sangra, olhamos com incredulidade o fogo do capitalismo triunfante que nos destrói e nos impede de sonhar. Eles venceram, e continuam vencendo a cada instante. O projeto de destruição segue seu curso, incólume. Mas continuamos lutando sob o cansaço de uma luta vã, perdida de antemão. O fracasso de nossa existência se empilha sobre o pó de Luiza, desaparecemos junto com as línguas indígenas e os artefatos de nossa história. Desaparece um futuro que poderia ser o nosso passado, carregamos os restos de nossa utopia tentando salvar do fogo algo que nos dê um sentido. Dos escombros nada surgirá, que fiquem ali, nos lembrando que, para eles, não somos nada.40670105_2300509476631724_8036067953243848704_n

 

*Não existe o pós-colonial- Jota Mombaça

http://www.goethe.de/ins/br/lp/prj/eps/sob/pt16117914.htm