Só por hoje

Bom dia, Helena, as instituições seguem funcionando normalmente, mesmo que o mundo assista paralisado ao genocídio palestino, à catástrofe climática gaúcha, daqui pouco chega aqui

Achei que hoje era segunda, mas já é terça e a avalanche dos dias é mais um efeito da ubiquidade midiática em pleno antropoceno capitalista: produza, até morrer.

Não há esperança, nem espera, nem esperançar, apenas o viver dos dias, um de cada vez, colecionando preciosos momentos de felicidade que só acontecem quando há o esquecimento. É preciso abstrair o horror da existência para que a beleza, a leveza e a delicadeza se mostrem e nos habitem.

Eu queria me fazer de novo, o vestido cheirando a guardado de tanto esperar, dançando minhas tristezas até se diluírem em acordes trasmutantes.

Queria acreditar que ainda é tempo de morangos,  mas a lista de afazeres só aumenta e o tempo atropela sem trégua.

Sair da cama e vir exercitar esse corpo dolorido é a vitória de hoje, Helena.

Está de bom tamanho.

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