Diariamente meu pai repete um ritual de comunicação no grupo da família no zap: mensagens prontas de bom dia e boa noite e encaminhamentos de conteúdo cultural aleatório e fake news política. Eu já criei mecanismos para me esquivar, mas às vezes algo me chama a atenção. Primeiro foram os emojis, que eu não enxergo e acho que ele também não. Mãos em oração, um panda, um cachorro, um carro, uma mala de trabalho, uma tela de computador para as postagens da manhã. Se for de noite, a mesma sequência, mas o carro é substituído por uma cama e o cachorro por um peixe e um tubarão. Há de ter alguma simbologia desconhecida para o panda, sempre me intrigou. Hoje me peguei pensando na mensagem que acompanha os cumprimentos: Deus no comando e Maria na frente. Bem coisa de militar colocar a figura masculina lá longe, em segurança, tomando as decisões, enquanto a figura feminina é bucha de canhão. Esse é o tipo de pensamento que habita minha cabeça 24/7. Acho que está na hora de sair de casa e abraçar uma árvore.
Eu passo por coisas parecidas também no meu, e sempre penso em sair do grupo, mas a repercussão da minha saída iria ser tão chata que me limito a arquivar o grupo e ler de vez em nunca.
Não é uma situação fácil essa dos grupos. Da família, só restou esse com pai e irmãs, mas mesmo assim sempre me incomodo.