Expelir

Bom dia, Helena, escrevo todos os dias para ver se consigo expelir tudo o que me habita, ainda sufoco nesse caos de sentimentos e memórias e histórias não contadas que há tanto me acompanham. É uma presença absoluta, massacrante, difícil encontrar uma fresta que seja, me sinto em Brilho Eterno fugindo em busca do vazio que me permita silenciar. Falo sobre dores e medos e apocalipses porque é tudo o que carrego desde sempre, queria encontrar um lugar no espaco-tempo que fosse de alegria e leveza, talvez crie um para mim. Deveria começar a escrever sobre tudo o que eu poderia ter sido e não fui, nunca tive sequer uma chance, uma infância em super 8 com risadas e colo e aquele ar de que vai dar tudo certo. Não quero mais falar sobre isso, mas ainda há tanto a expurgar, a culpa é sempre da mãe, mas obviamente do pai, e cansei de ser mãe e pai e a família e a santíssima trindade toda. Cansei de ser tudo, Helena.

4 pensamentos sobre “Expelir

    • Bom dia, Glória, tudo bem? Como eu já comentei em outros momentos, aqui no blog faço um exercício de escrita terapêutica, colocar em palavras o que carrego comigo. É um processo muito bonito e que me ajuda muito a elaborar todos os meus sentimentos. E, sim, há muita tristeza, a maior parte eu nem coloco em palavras.
      Entendo que essa tristeza toda reverbera bastante aí em você e espero que você possa também lidar e ficar bem. Bjos, Máira.

      • Oi Maíra, fiquei gratamente surpresa com sua resposta! Agradecida mesmo! Mas, deixa eu te explicar o porquê de meu comentário… sempre me senti a pessoa mais infeliz de todas no planeta… fui fazer psicologia pra ver se dava conta de tanto sofrimento a medida em que, concretamente, tinha todas as minhas necessidades básicas atendidas… não entendia pq sofria tanto! Qdo te leio me remeto a esses sentimentos todos! E me angustio! Simplesmente pq, na minha experiencia, esse chafurdar na dor só me fez afundar mais no buraco existencial vivido! Já sou idosa e mesmo não tendo resolvido esse vazio existencial tão profundo, fiquei menos amarga quando fui aprendendo com a vida a me acolher e acarinhar, mesmo com todos os horrores sentidos e vividos! Acho que vivencio, de alguma forma, o poder me aceitar tao torta e a exigir menos do outro que tampe meus buracos! Eles, os buracos, seguem por ali e, volta e meia os revisito, mas quem dá as coordenadas sobre permanecer ou ressurgir das cinzas sou eu, não ele ou quem quer que seja que me “jogou” lá! E aí tenho conseguido achar muita graça nos meus netos, filhos (não tem nada mais pesado que essa relação) e quem mais chegar! Ficou menos sombria a minha vida e, o mais importante de tudo, consigo gerar benefícios pra muitos a minha volta, muitas vezes com a simples intenção de que um desconhecido que percebo em sofrimento, encontre seu caminho de luz… nada me deixa mais feliz! Ao lado disso procuro lutar pelas causas sociais de melhores condições básicas pra todos… o que vc sabe, especialmente nesses tempos sombrios, não tá sendo nada fácil… por isso comentei sobre seu sofrimento… há tanto o que fazer… um grande abraço amigo! De verdade! Seguirei te acompanhando… vc tem estilo! E eu gosto dele!

      • Glória, querida, eu havia escrito uma longa resposta que, infelizmente, se perdeu. Mas agradeço a interlocução e aproveito para te dizer que também tenho encontrado caminhos e, mesmo que a dor siga comigo, eu consigo lidar de várias e diferentes formas. A escrita é uma delas, a psicanálise outra, a reclusão também tem me feito bem, já que o boteco está fora de cogitação por enquanto. Seguimos ❤

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