Volta

Depois de um tempo eu parei de contar. Os dias, as horas, os meses, nem sei bem em que ano estamos, essa hiper compressão temporal cotidiana que dura tempo demais. Sei que entrei em quraentena em um 16/03, me apaixonei em um 01/05, entrei para as estatísticas pandêmicas em um 09/01, voltei para a sala de aula em um 23/03. Se um dia eu consegui marcar datas como essas em um calendário de experiências, hoje elas são números que dizem pouco sobre o que se viveu entre quatro paredes. É como perder um pedaço de si. Olho todas as fotos e textos buscando um sentido, há uma linha de vida ali e de repente um buraco, de sintomas e sequelas, um vazio imenso em que nada faz sentido. Nesse Adeus Lenin pessoal, todos os dias descubro que meu mundo não existe mais e preciso reaprender a viver essa nova vida.

Pandemia, ano 3, 736 dias de Isolamento.

Dançando furiosamente em meio ao caos.

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