Pas des deux

Durante muito tempo vivi o amor como um caminho a ser trilhado junto, paripassu, numa coreografia muito bem ensaiada em que todo percurso seria atravessado ao mesmo tempo, no mesmo ritmo, na mesma cadência. Nesse trajeto,  amar seria equalizar frequências, fixar o afeto num único modo de ser estar, para caber nesse caminhar a dois.
Atualmente tenho vivido o amar como um caminho ao encontro do outro, percorrido ao seu tempo e em seu passo,  uma travessia de afeto na qual cada corpo se movimenta no seu próprio ritmo, frente a frente, em eterna descoberta de quem se é em relação ao outro. Deixar-se afetar por outros gestos, outras cadências e inúmeras possibilidades de ser quem se é.
Um tango se dança junto, um pas de deux se dança com.

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