Boa tarde, Helena, enquanto os problemas se misturam com a sujeira da casa, me recupero em plena comiseração porque a dor da vida agora é a dor do corpo e uma gripe pode te nocautear sem dó nem piedade. O mundo hoje tem um trilionário e parece que quanto mais eu estudo mais doente fico, não é possível que nosso destino seja assistir ao fim de camarote, que nós as excluídas e precarizadas sejamos as únicas que se abalam com o ridículo teatro do absurdo em que se transformou a vida na pós pós-modernidade. Toda a minha potência transformada em pelancas, as gêmeas Olsen já têm quarenta anos, de que serve compreender o mundo se não podemos muda-lo, pelo menos não para melhor. Piorar sempre é possível, a gente bem sabe, tá lá nas leis de Newton. Morrerei pobre e sozinha, Helena, já me conformei.