Breathe, keep breathig

1993: ligo a falecida rádio Estação Primeira e escuto: Creep – Radiohead.
Milhares de anos luz depois me vejo frente à um jogo de luz surreal e sinto a dor em cada grito, em cada distorção.
Não sou capaz de tecer comentários inteligentes ou realizar paráfrases musicais sobre os caras.
Li montes de blogs que fizeram isso.
Sou capaz apenas de falar de mim e de minha inoportuna existência.
Esses caras fazem parte de quem eu sou, não por terem descrito minha alma, ou por serem músicos virtuosos.
Fazem parte de mim porque a partir do momento em que declararam ao mundo: I don’t belong here… me fizeram sentir que alguém mais estava esperando a nave mãe.
Sim, o show (com todo o processo de viagem, los hermanos e gente imbecil) foi medonho. Mas ver os caras, mesmo sem lembrar de metade das músicas, foi um experiência e tanto.
Explico: nos últimos anos, estou me forçando para viver uma vidinha minimamente feliz e decente e, por isso, deixei minha coleção de cd’s depressivos-infelizes-quero-me-jogar-pela-janela de lado.
Resultado: fiquei lá, chorando sem parar, tentando me achar dentro mim…
É claro que bastou ouvir a voz do Thom Yorke para o mundo desandar.

Quando me perguntam como foi o show, digo: estranho, de um jeito bom.
Estranho… como eu.

 

2 pensamentos sobre “Breathe, keep breathig

  1. Vi um show do Radiohead ha muito tempo atras, estava de dia e chovia tanto que parecia que o mundo estava se liquefazendo em enxurrada. e aquela bateria penetrou meu peito de uma forma, que ateh hoje eh inigualavel.

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