Guia prático de convivência com mães

Todo mundo convive com mães, elas são nossas parentes, nossas vizinhas, amigas, nossas colegas de classe, de trabalho, de bar, de academia. As mães estão em todos os lugares, acompanhadas ou não de sua prole.

A mãe aqui é entendida como uma construção social, arquetípica e feminina. Pode ser mãe biológica ou adotiva, pois não é um ente da natureza, mas uma representação e uma concretude de quem ocupa o lugar da maternidade.

Há tempos queremos desconstruir essa maternidade, pautada num único modelo de família nuclear, mas enquanto isso não acontece precisamos lidar com a dor e a delícia de ser mãe.

Se você tem uma relação próxima com uma mãe, esse guia foi pensado para ajudar a se portar melhor perto de uma. Mas veja, esse texto não é sobre a sua mãe e a sua relação com ela. Pode até auxiliar, mas para você aprender a se relacionar com a sua mãe, faça terapia.

1. Toda mãe é, antes de tudo, uma mulher. Como tal, ela é um indivíduo singular dotado de desejos e necessidades cuja existência precede e extrapola a maternidade. Lembre-se sempre disso. Trate-a como um ser autônomo em toda e qualquer circunstância.

2. Não importa se você é uma autoridade no assunto ou se tem 20 anos de experiência, não dê conselhos não solicitados. Ninguém tem as próprias ações tão questionadas quanto a mãe, afinal todo mundo sabe como educar a cria alheia e fica dando pitaco em absolutamente todos os assuntos. É difícil, eu sei, mas não seja essa pessoa.

3. Se não tem nada positivo para falar, fique em silêncio. Essa mãe já está sendo criticada por absolutamente todas as pessoas, pode ter certeza. Nenhum comentário negativo que você faça vai ajudá-la, ao contrário, apenas reforça a sensação de fracasso e de que poderia estar fazendo melhor. Não estou nem falando da famosa culpa materna, mas do peso de ser 100% responsável por outra(s) pessoa(s).

4. Ofereça ajuda, é muito melhor do que se meter na vida alheia. Pergunte se há algo que pode fazer para aliviar a carga que essa mãe carrega. Mesmo que seja esporádico. Lembre-se que essa mulher está fazendo todo o trabalho afetivo do cuidado das crianças e, o que é pior, carregando toda a culpa por toda e qualquer coisa errada que aconteça com elas.

5. Relacionar-se com uma mãe passa por entender que essa mulher, em algum momento, desejou a maternidade. Isso não significa deixar de discutir maternidade compulsória, direitos sexuais e reprodutivos e o respeito para com as mulheres que não querem ter filhos. Mas o apoio ao movimento child free não dá a você o direito de dizer: odeio criança. Não gostar de criança não é um direito seu. É discurso de ódio. Estamos falando de um grupo extremamente vulnerável e dependente, NUNCA FALE QUE ODEIA CRIANÇAS. E vá já pra terapia lidar com isso aí.

6. Se você convive com uma mãe que trabalha, saiba que a vida profissional dessa mulher é atravessada pela maternidade e vice-versa. Isso significa que cada ato demanda o dobro de esforço e investimento. Sem falar na dupla (ou tripla) jornada. Essa mãe provavelmente estará sobrecarregada, pois fará tudo o que colegas de trabalho fazem e ainda cuidará de toda a função doméstica.

7. Se você se relaciona afetiva/sexualmente com uma mãe, além do respeito exigido em qualquer relação, tenha também uma dose extra de empatia. Essa mãe tem que se desdobrar para poder estar no rolê e, se for o caso, ainda estar disponível para o rala e rola. Ela escolheu estar ali, isso significa que você é especial de alguma maneira. NÃO DÊ OS CANOS NUMA MÃE.

8. Não importa se você faz parte de uma minoria privilegiada que teve a sorte de se reproduzir com um homão da porra, deuso da desconstruição e paizão presente e provedor, a maior parte das mulheres são mães solteiras ou mulheres que concentram todas as funções de criação e educação, afetiva financeiramente. Lidam com pais ausentes, egoístas, incapazes, infantilizados e, em certos casos, violentos, que além de todos os problemas concretos que causam, ainda fornecem um péssimo modelo de masculinidade. Lembre-se disso quando for perguntar porque a mãe acumula todas as funções e não “divide” com o pai.

No mais, pare de ser uma pessoa escrota e comece a tratar as mães como gente. E fica uma dica extra para todas as mulheres:

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