Saudade

Para marcar o dia da saudade escolhi essa foto, não apenas porque estou feliz, bêbada e apaixonada em um albergue parisiense (quem não é feliz em Paris, não é mesmo?), mas porque marca um tempo em que eu acreditava no futuro. Essa talvez seja a minha maior saudade hoje, a de poder projetar, esperar e esperançar  uma vida, um plano, um existir outro. Nesse tempo ainda tudo era viável, um horizonte imenso de possibilidades que, mesmo que não tenham se concretizado, estavam lá. Sobreviver nesse fim de mundo de um presente absoluto tem exigido fazer as pazes com essa temporalidade atípica, tudo se mistura numa dança non sense. Então, hoje registro minha saudade do velho e do novo, de andar na rua, sentar no meio fio, abraçar pessoas pela primeira ou pela milionésima vez, conhecer novos sabores, aquele frio na barriga de um amor correspondido, molhar os pés  na água do mar, de existir um amanhã, de acreditar que vai dar tudo certo. Eu tenho uma lista de saudades, não cabe aqui, mas registra tudo e todes que escolho levar comigo, enquanto existo nesse deserto do possível.
Seguimos ❤

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