Empoderamento

A primeira vez que ouvi a palavra “empoderamento” foi numa reunião de grávidas. O foco era o empoderamento da mulher no parto natural ativo.
Tudo aquilo era muito novo para mim, pois sou do tempo de parto “normal”, sem nada desses nomes pomposos.
Mas na hora entendi qual era a do termo… E me apoderei dele depois do nascimento do meu segundo filho.


Para quem não conhece, achei aqui uma excelente definição


Empoderamento: é o mecanismo pelo qual as pessoas, as organizações, as comunidades assumem o controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida, de seu destino, tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir.” 


Não precisa dizer mais nada…


Esse pequeno prolegômeno serve para a introdução de outro tópico.
O empoderamento da mulher.
Eu não sei onde estive nos últimos 30 anos, mas nunca tinha ouvido nada a esse respeito (e olha que eu sou super ligada nessas coisas).


Então, estávamos nós, organizadoras da Marcha das Vadias, correndo atrás de apoio e de coletividade, mobilizando as mais diversas organizações em prol da “Marcha de Todas as Bandeiras”, quando fomos à uma reunião da ONG Espaço Mulher.


A reunião foi na casa presidente, Maria Célia e confesso que fiquei preocupada quando vi aquelas senhoras reunidas em uma sala de estar, como se fosse um chá das 5. (Super preconceituosa, eu, né? Anos de convivência com o pior da classe média pomposa, racista e “caridosa” me deixaram traumatizada…).
Enfim, começou a reunião, ouvimos a Ludmila explicar o propósito da Marcha, enquanto outras senhoras chegavam, muitas mulheres falando ao mesmo tempo…


Fomos totalmente acolhidas, as senhoras nos apresentaram alguns números que tinham sobre a violência contra a mulher em Curitiba (números ridículos de tão enganosos, é necessário ressaltar) e aí começou o debate. Da dificuldade de conseguir informação, da necessidade de transparência na divulgação desses dados, na falta de políticas públicas efetivas, na deficiência no atendimento pelos órgãos competentes, falta de esclarecimento, falta de formação da área de saúde para atendimento de mulheres que sofreram violência, de como funcionam as instâncias de participação pública, da necessidade de educação!


E então, a fala: Nós estamos aqui pelo empoderamento da mulher… Nem ouvi o que veio depois, porque fiquei tão emocionada de ver um discurso tão afinado, tão engajado, feminista (sim!)…
Nada de coitadinhas, vamos salvá-las, vamos tirá-las dessa vida… Nada de hipocrisia assistencialista, caridosa, que diminui o outro e o torna dependente de uma ação redentora.
O empoderamento tem a ver com a responsabilidade por si, com autoestima, respeito, dignidade. Com tomar a sua vida em suas próprias mãos, sair do papel de vítima e assumir o de sujeito.


Confesso que saí de lá aos prantos, renovada de esperança para encarar o mundo cão. E agora, não estou mais sozinha.

 

Um pensamento sobre “Empoderamento

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