Não me chame de Guerreira

“Eu queria conseguir dormir 8 horas ininterruptas, escrever 20 páginas de uma vez, ouvir Belchior olhando as nuvens, não ter medo o tempo todo, não ter vontade de chorar quando o pequeno pede atenção, não me sentir um fracasso cada vez que não sei o que fazer. Queria cada coisa na sua caixinha, ter tempo pra tomar aquele café, aquela cachaça, pregar os quadros na parede, molhar as plantas que estão morrendo, pregar aquele botão que já perdi, lembrar daquele insight ótimo que tive há dois dias e não anotei. Queria salvar o mundo, ou pelo menos a mim mesma, queria não sentir tanto ódio, tanto nojo, o estômago revirado o tempo todo, por tanto tempo. Queria que o tempo desse uma trégua, que o dia tivesse 30 horas para que – quem sabe – eu conseguisse apaziguar a máquina produtiva que roda incessante aqui dentro. Queria que alguém dissesse que vai dar tudo certo e que, no fim de tudo, valeu a pena. Um pouquinho de certeza, um beijo de boa noite, que fôssemos felizes, às vezes, um pouco. Queria as palavras certas, essas que nunca encontro, nunca estão lá, nem aqui, que o choro ajudasse e o cinza não durasse tanto tempo.” 

O texto acima foi postado no último ano do meu doutorado, durante o período mais difícil da escrita da tese. Eu já estava devastada e exausta, perdida, infeliz. Mas mesmo assim toquei o barco até a defesa. Ao fim da tese, muito bem recebida por seu conteúdo crítico, não alcancei a sensação de dever cumprido. Meu casamento acabou, meus filhos ainda estão fazendo acompanhamento terapêutico para processar a ausência da mãe e eu me pergunto por que não fiz diferente. Por que não desisti enquanto era tempo. Eu me odiei todos os dias, absolutamente todos os dias enquanto escrevi a tese. Sentia-me uma fraude e não via sentido em tanto trabalho para nada.

Eu me lembrei desse post durante toda a semana da mulher, ao ler incontáveis textos sobre a capacidade feminina de organização, cuidado e superação. Um modelo de feminilidade que reitera que para ser feliz uma mulher precisa ser bonita, desejável,  duplamente competente, magra, vaidosa, jovem. Forte, mas sem ameaçar a masculinidade hegemônica. Sexy sem ser vulgar. Mãe dedicada e abnegada. Inteligente, culta, engraçada, carinhosa. Bem sucedida.

E quem é que cuida dessa mulher exausta? Cansada de tentar se encaixar num padrão irreal e castrador? Pois, se está ocupada demais, não há tempo para pensar em sua própria condição. E se ela faz todo o trabalho (principalmente o afetivo), o outro não precisa fazê-lo, não é?

Escrevi uma tese sobre o fracasso. Sobre como o discurso do sucesso, do pertencimento e da aceitação rouba nossa potência. E como precisamos aprender a fracassar. Cada vez mais tenho visto posts de mulheres expondo o quanto sofrem por tentar se adequar. O sofrimento de não ser digna de amor, de não ter o corpo certo, de não conseguir existir nesse mundo em que só há um jeito de ser mulher. E nunca é o nosso. Precisamos parar de naturalizar o sobretrabalho, a superação como um atributo feminino. Precisamos, com urgência, criar outros jeitos de ser mulher. E aprender a viver com eles. E aceitá-los.

Decidi expor esse texto porque muitas pessoas me admiram e me tratam como se eu tivesse algum tipo de habilidade extraordinária de dar conta das coisas. Não, não tenho. Na maioria dos dias mal consigo levantar da cama de manhã. Todo mundo tem suas batalhas internas. Estou bem, na medida do possível, sendo atendida, acompanhada e amada por pessoas maravilhosas que me aceitam como sou. E me obrigam a aceitar ajuda mesmo quando eu não quero.

Portanto, não me chame de guerreira. ❤

PS: Para quem tem curiosidade sobre a tese, segue o link: https://tede.utp.br/jspui/handle/tede/1219

 

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235 pensamentos sobre “Não me chame de Guerreira

      • Gostei muito dessa ideia de trazer textos com esse perfil, sabemos o quanto nos doamos para tudo o que fazemos e sofremos pela entrega, e sofremos com os preconceitos que encontramos na sociedade, na universidade, é tenso. É muito difícil, também estou passando por isso é parece que vou pirar certas horas rsrs, mas preciso terminar. Concluir, tentar isolar toda a negatividade. Para o sucesso! Abraços.

      • Sinceramente….o problema ao meu ver e no meu caso é a academia: orgulho,competição, vaidade!
        Chefes q te invejam e tem medo q vc puxe o tapete, colegas q te invejam e te ignoram, família cobrando presença, orientador te massacrando e assediando pra fazer tarefas dele…
        A academia ñ tem este brilho td.
        Parei no mestrado e meu douturado vai ser com mochila nas costas, buscando conhecimento.

      • Olá,
        Nos últimos tempos tenho lido muitos textos sobre o peso e as dificuldades do doutorado, alguns com ênfase na sobrecarga de trabalho, outros no desgaste à saúde do pós graduando. Em quase 30 anos como professora, hoje titular, pesquisadora, não raro tenho saudades dos tempos do doutorado. Época em que a preocupação era apenas com a minha formação e não de dezenas, centenas de outros; época em que tudo funcionava no laboratório e não era minha responsabilidade buscar o custeio da pesquisa, manutenção de equipamentos, reposição de peças, reagentes, etc. E assim poderia listar páginas e páginas de motivos. Aqueles que, hoje, perdem suas noites de sono preocupados com os rumos da pesquisa, com ter o laboratório funcionando para que os orientandos possam fazer (bem) seu doutorado, em ser competitivo para conseguir projetos financiados, em se manter na vanguarda do conhecimento, e ainda, finalizar artigos, corrigir teses, dissertações, aulas, bancas, palestras, relatórios, e páginas e mais páginas poderia listar… Esses sabem o que é nosso cotidiano!

      • Durante o meu doutorado, resolvi morar junto, tive uma ilha, me separei. Senti na pela essa sensação horrorosa de ter que ser perfeita e mulher e linda e mãe e…. Mas… depois de muitos anos, me reergui. Sai da academia que não fazia nenhum sentido mais. Fui viver um mundo real. Hoje sou casada, tenho mais uma filha e espero mais uma menina. Brinco, que só sei fazer mulheres poderosas para esse mundo. Não sou guerreira. Mas sou poderosa. Porque tomei as rédeas de minha vida. Sou quem eu quero ser. LIVRE. Parabéns pelo post.

      • Olá, Marcela, que bom que você encontrou um novo caminho. Eu ainda não sei se vou continuar na academia. Sou professora e amo o que faço, mas a carga da pesquisa me exaure e acho que realmente não é pra mim. Beijos

      • Me enxerguei completamente dentro da sua fala, é exatamente o que estou passando, e aquela sensação de que tem alguma coisa de errada comigo, “onde estou errando”? Obrigada por compartilhar, por mostrar que não estou só. Não estamos.

      • Vc pode compartilhar a pesquisa que vc fez? Gostaria de ter meios de levar essa discussão pra dentro da universidade.

      • Acredito q devo desculpas. Tenho o hábito de no meu trabalho, quando abordo uma mulher(troco zines nas ruas, não gosto da terminologia VENDER, por mais q precise de dinheiro pra pagar meu aluguel e etc), a chamo de guerreira. E sinto q devo explicar o motivo.
        Não cabe aqui eu contar como e pq, me ajudaram a compreender as ferramentas de controle da sociedade sobre os humanos, mais precisamente e intensamente sobre as mulheres. Exatamente por essa série de repreensão, desigualdades sociais impostas as mulheres(q tu deixou bem entendido no texto), que as chamo de guerreira. Acredito e percebi de algumas, q se sentiram bem, fortificada, respeitada. Uma tentativa rasa de elevar a auto estima.
        Desculpe

      • Olá, Danilo, não precisa pedir desculpas. Eu durante muito tempo eu me orgulhei de ser uma lutadora, de levar a sério os desafios da vida e de “dar conta”. Mas essa persona guerreira acabou se tornando uma prisão da qual eu não conseguia mais sair. É muito complexo termos que batalhar todos os dias por nossas vidas, mas também estarmos prontas para os fracassos. Não há fórmula própria, cada uma traça o seu caminho como pode, mas acredito que se refletirmos mais sobre eles, podemos torná-los mais leves. Abraço

      • Eu estou vivendo isso agora, prestes a defender um mestrado, trazendo a trajetória de vida das mulheres negras, e esse peso que historicamente carregamos, por ser guerreira, nos tira, inclusive, a necessidade de sermos generosas com a gente e apenas pensar no outro, em tudo, menos no eu. Refazendo tudooo.

      • Olá, Deise, obrigada pelo seu comentário. Realmente, essa “luta” que travamos diariamente acaba nos endurecendo e perdemos a generosidade com nós mesmas. É preciso abrir espaço pro erro, pro vazio, pro improvável. Abandonar a ilusão de controle. Boa sorte na defesa e se puder, depois me manda a sua dissertação. Bjo ❤

      • Estou exatamente no momento crítico do doutorado e já li esse post algumas vezes… tenho ficado irritada com esse adoecimento que estamos passando por sermos mulheres e vivermos a pressão das grades invisíveis desse espaço chamado academia!!! Me sinto liberta por não aceitar isso em minha vida, mas triste por ver pessoas ao meu redor tão doentes. Tive que bradar muitas vezes a mesma frase “não sou guerreira” e comolementava… “estou exausta”. Penso que precisamos colocar esse meliante chamado Doutorado no seu devido lugar!!!! Obrigada pelas reflexões! Abraço fraterno! Paloma

    • Você conseguiu resumir meus sentimentos, desde o que sentimos como mulher e também como profissionais. Quando você falou do doutorado, falou de mim !! Parabéns !

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    • Penso nisso diariamente. Tenho um filho de 4 anos, quero voltar a estudar, fazer uma Pós… Mas penso como vou me dedicar, sou praticante sozinha…para alguém me ajudar, tenho que pedir…pedir e as vezes impor.. complicado impor que alguém cuide de sua obra mais preciosa??? Seria tão bom alguém cuidar com vontade, com garra , cuidar apenas por amor..aí sim, sei que me dedicaria tranquila .. e assim vai passando os dias, os meses..mas não vou desistir..logo logo chega o meu momento sz.

  3. O resgate dos valores femininos, não só na mulher mas na sociedade e de fundamental importância para o equilíbrio emocional e também consequentemente social . E importante que a mulher valorize seu papel de mulher e que isso seja visto como algo valioso e não pejorativo como julga o patriarcado. Este sim e o real empoderamento feminino.

    • Olá, eu não sei bem o que você entende como valores femininos. No meu caso, acredito que podemos enfrentar o patriarcado com a mulher sendo o que ela quiser. Eu, por exemplo, sou considerada muito masculina. E não acho que precise resgatar algum tipo de feminilidade para poder encampar a luta feminista.

  4. Lindo texto e corajoso, buscamos incessantemente ser “perfeita” aos olhos de quem precisamos ser “perfeita” e “guerreira” sei lá…espero descobrir a tempo de que não preciso ser nada para ser amada, apenas EU!

  5. Excelente!!! Seu texto está sendo publicado em vários grupos de mulheres! Parabéns por dizer o que muitas querem dizer, mas não têm coragem, por medo do que os outros vão pensar. Esse texto é muito importante, para que todas vejam que são comuns, que não há nada de errado com elas por estarem fora do padrão da propaganda de margarina. Alíás, esse padrão é que sempre esteve errado, né não?
    Receba meus aplausos!

    • Olá, Luciana. Fico muito feliz e surpresa em saber que o texto está circulando nos grupos de mulheres. Foi um desabafo bem pessoal, compartilhado no meu perfil do FB. Mas tive um retorno quase que imediato de outras mulheres, minhas amigas, que estavam passando ou já tinham passado pela mesma situação. É um padrão, né? E precisamos estar muito atentas para ele. Obrigada pelo retorno. Bjão

  6. Muito bom seu texto, outro dia estava pensando nessa coisa de “guerreira”… por que temos que ser guerreiras? Que guerra é essa? Eu também confesso que estou cansada, cansada porque trabalho demais, meu marido é um grande companheiro mas no final das contas acabo tendo que assumir muitas coisas. E veja bem, fiz a opção de não ter filhos. Há dias em que às 18 horas eu penso: Jesus, como as mulheres que têm filhos dão conta? Se eu tivesse um filho eu chegaria em casa e não daria conta, não sei de onde as mães tiram energia. Cansada de ter que justificar que não, não vou pintar meus cabelos brancos, não vou fazer plásticas, não vou tentar parecer ter 25 quando tenho 49! UFFA! Não posso nem envelhecer em paz! Por que não posso aceitar minha flacidez? Minhas rugas? Para mim são marcas da minha vida, me mostram tudo o que vivi! Sinto-me pressionada muito mais pelas mulheres e isso é muito triste. Olha, eu estou te abraçando agora e dizendo que sim, estamos cansadas sim… mas precisamos nos unir para sermos mais companheiras uma das outras. Obrigada e desculpe o desabafo.

    • Obrigada pelo retorno, Patrícia. Eu tenho defendido muito as mulheres que não querem ter filhos, porque há uma pressão grande para a maternidade (e uma maternidade perfeita). É extremamente cansativo e frustante. Também quero envelhecer em paz e criar uma outra forma de ser uma “mulher velha”. Mas é tão difícil quando temos todos os olhares voltados para nós. E sim, precisamos nos unir, cada vez mais. Nós por nós. ❤

      • Nossa, que legal seu blog! Tem algum texto sobre as mulheres que optaram por não ser mãe? Porque confesso que sofro mais preconceito agora do que quando era jovem e já dizia que não queria ter filhos. O que me magoa é quando dizem que não gosto de crianças, sabe? Porque isso não é verdade, acho que as crianças devem ser protegidas e as vejo sendo tratadas como adultos, participando de coisas que, na minha opinião, não são para elas. Por exemplo, quando faço festas em minha casa e peço para não levarem crianças, é porque festa de adulto não é ambiente para elas, os assuntos, cigarro, bebidas..Tenho razões profundas para ter feito essa opção, e já ouvi coisas muito agressivas, como acharem que alguém que não pariu é incapaz de um amor incondicional como o das mães. Amor incondicional não é reservado apenas às mães. Acho injusto inclusive com os homens, pais também amam incondicionalmente, eu acredito. Eu gostaria muito de trocar ideias com outras mulheres que fizeram essa opção. Obrigada.

    • Isso mesmo Patrícia! Ainda não tenho cabelos brancos, apesar de estar com quase 38 anos. Mas já tomei a decisão de não tingir meus cabelos. E sei que serei criticada pelas minhas tias e avó, que sempre foram muito vaidosas. Para mim, a vaidade é mais uma prisão. Já estamos presas nessa vida que temos, com tantos afazeres, para quê mais uma amarra, me diga? Uma não! Várias! Pintar cabelo, fazer as unhas, usar maquiagem para sair de casa… eu não faço nada disso! E sempre fui muito feliz assim! O que você falou está certíssimo! A maior cobrança nesse ponto vem das outras mulheres. E onde está a sororidade?

  7. Meu casamento acabou com o final do mestrado de minha ex-companheira. Como já ouvi muitos casos semelhantes, seria interessante saber se há um estudo relacionando o stress de finais de pós-graduação com rompimentos de relacionamentos.

  8. Perfeito, mas o mais e e trágico é que grande parte das mulheres “independentes” pensam dessa forma. Eu me pergunto todos os dias, por que mesmo sabendo de tudo isso, não conseguimos sair o lugar, sair da mesmice, dessa rotina que nos mata aos poucos e aos montes?!

  9. Muito bom o texto. Mas a imagem das ancas da mulher maravilha surrada e sofrida so exaltam a objetificacao do corpo feminino hermanat….pessima escolha. Ainda da tempo de mudar.

    • Olá, acredito que a imagem, como toda representação, permite uma série de interpretações. Não acho que um corpo nu, por si só, remeta à objetificação. Essa imagem da mulher maravilha se despindo, mostrando seus machucados de batalha, foi escolhida especialmente para o post, pois demonstra o quanto a luta por ser uma mulher perfeita nos machuca e fragiliza. Não vejo nenhum motivo para mudar a imagem.

  10. Fantástico! No dia internacional da mulher, externei meu pensamento sobre não admirar o termo “guerreira”, quase fui massacrada. Ao meu entendimento, não devemos guerrear! Temos que encontrar prazer e alegria na rotina e nos imprevistos do dia dia. Vivo minhas limitações e ainda assim sou grata pela vida. Injusto com as minhas convicções me permitir ser chamada de guerreira. Obrigada, e parabéns pelo texto!

  11. Olá! Gostei muito dos seus comentários. Sou doutora, com pós doutorado, docente e pesquisadora de Universidade Pública. Nunca me senti tão exaurida nesse último ano, depois que meu filho nasceu. Nunca fui tão cobrada, julgada e exigida como nesse último ano. Até por mulheres. Muitas pessoas me vêem como forte e um pouco masculina. Não gosto desse rótulo de fortaleza. Mas cada vez tenho percebido que a cobrança psicológica de quando se é mãe é infinita. No meu caso, a academia é um refresco para minha alma. É quando me sinto livre, me sinto EU.

    • Oi, Keila, eu tenho convivido por muito tempo com essa imagem de fortaleza, de “rocha”. E acabei me apegando a ela e criando um padrão de comportamento muito nocivo. A maternidade também exige muito, uma eterna perfeição. É avassalador.

  12. Obrigada! Estou na reta final de um doutorado, na verdade aguardando a marcação de uma defesa atrasada. Estudo oara um concurso para que os 10 aanos de estudo e pesquisa não tenham sido em vão. Tenho um filho de 6 anos em fase de alfabetização. Nos últimos anos, por N motivos desenvolvi ansiedade. Gostaria muito de ler sua tese!

  13. Perfeito.Bela descrição muitas delas falam exatamente como tenho me sentido. Estou enojada da vida que tenho levado .Estou tão infeliz.E sem forças pra lutar.Ler e a unica coisa que ainda me consola um pouco.Mas pra mim viver não e mais importante.Ninguem enxerga o qie sinto.Até porque estou so em todos os aspectos.Mas nao e a solidão que me consome e sim a incapacidade de mudar a falta de força , de não ter onde busca_la a falta de coragem porque ja perdi a esperança, a falta de alegria por ter feito planos pra minha familia e perceber que eram apenas meus planos , casamento desfeito. Filhos distantes lutando pra viver e eu aqui estagnada.Tendo que viver por comodidade com outra pessoa porque nao tenho outra ajuda, mas quem vive so de comida e teto e importante mais num e tudo. Vivo a vida imposta pq. Simplesmente nao tenho pra onde correr.E outros que me oferecem ajuda tambem fazem imposicoes.Ou seja vou viver a vida dos outros nao a que quero entao ficarei na.mesma situaçao.E sair de uma vida de favores pra viver outra.Eu quero e poder escolher meu caminho .Viver com o que eu penso que me trara felicidade.Nao ter a linha da minha vida riscada por outros. Mas como vou fazer se emocionalmente me sinto derrotada, fisicamente me definhando por nao fazer nada , e economicamente acabada so nao passo fome porque me dao o que comer.E o que mais me doi e pensarem que eu estou exagerando que eu vou superar tudo porque sou guerreira. Ja ouvi isso diversas vezes. Bom falei muito mas isso foi um desabafo para mostrar como o texto acima tem muito a ver comigo. Bom dia.

  14. Seu texto é de uma profundidade sem tamanho! Me emocionei ao ler, pois representa muito nós mulheres, que mesmo numa época como hoje, ainda existe muito machismo e preconceito sobre nós. Parabéns!

  15. Boa noite
    Me chamo Rosana, moro com meus dois filhos menina de 4 anos , fez agora e meu filho fez 5 anos em dezembro.
    Desde sempre cuido deles sozinha, trabalho o dia inteiro, eles ficam na escola, não eh fácil.

    Entendo que sua vida , mas vc eh uma grande mulher e linda assim como eu!!!

    Sim eh uma grande mulher maravilha!!! Somos!!! Obrigada por dividir sua vida comigo e por me inspirar a ter mais forças.

    Bjos

  16. Parabéns pelo texto!
    Sou doutora há quase três, mas só consigo afirmar isso há alguns meses. O doutorado foi castrador. Uma fase negra. Adoeci fisicamente. Mentalmente. Não tenho filhos, ainda, e, durante aquela fase, quase não tinha a mim, relacionamentos, então, eram impensáveis.
    Quando ouço alguém dizer que está pensando em fazer doutorado, nem sei o que dizer… talvez um dia eu me recupere realmente. Por enquanto, um dia de cada vez.
    Tenho muita vontade de escrever sobre esse e outros temas, mas falta o start, o ímpeto.
    É preciso falar sobre isso. Parabéns pela sua coragem e pela sua disponibilidade.

  17. Uau! Me vi em seu texto.
    As vezes me pego pensando:
    Como dou conta de 3 casas, 2 filhos, morando em cidades diferentes e eu na estrada pra lá e pra cá, graduação em História, curso de gestão, sítio, 5 cachorros, projeto de reflorestamento no sítio, plantar mais mil árvores esse ano, a mente criativa que ferve de tanto pensar em como gerir melhor e empreender pra Hospedagem fluir e melhorar nos negócios.
    E os fantasmas que de vez em quando resolvem tirar uma comigo ?háaa
    Dou um Fight neles e coloco tds pra dormir.rs
    Estamos todos conectados. Heya!

  18. Olá, somos da página Mães na Universidade e compartilhamos seu texto. Se possível, queríamos seu nome para colocar a referência.
    Obrigada.
    Ps.: texto maravilhoso.

  19. Parabéns pelo texto..
    Cada palavra, cada linha, cada frase é exatamente como eu e muitas mulheres que sao do meu convívio nos sentimos ou vivemos..
    Obrigada por nos trazer a tona com este texto.

  20. Ótimo texto!

    Mas todo esse sacrifício e perdas poderiam ser evitados se, ao invés de terminar o doutorado, vivesse mais com os filhos, com o marido, consigo mesma.
    Conseguiu o título de doutora, mas os filhos e o casamento for sacrificados.
    Não tiro o mérito do título! Ao contrário, t dou Parabéns!!! Tenho noção das horas de sono q perdeu. Mas, REALMENTE isso tudo valeu a pena?
    Viva mais a vida, ame-a e ame-se! Isso sim importa

    • Olá, Paulo. Como bem sabemos, a vida é feita de escolhas. E estas não seriam tão pesadas se não houvesse a divisão sexual do trabalho, a desigualdade e violência de gênero. Falo de minhas escolhas pessoais (e não me arrependo delas), mas penso sempre em termos de coletividade. Eu sou extremamente privilegiada e sei que muitas mulheres não podem nem escolher. É óbvio que o doutorado não foi a causa dos meus problemas, apenas uma parte importante deles. E não seria se tivéssemos uma outra organização social e uma outra mentalidade, que não defenda que a mulher deve sacrificar sua carreira em nome da família, por exemplo. Ou também uma outra organização da academia, que não seja um lugar de disputa de egos. Abraço.

  21. Texto forte.

    Durante o mestrado, fiz uma bariátrica, perdi a vesícula, minha esposa teve um aborto, meu pai morreu. Tudo isso tocando a vida como professor em cinco escolas. Foi um turbilhão de coisas. Quando terminei, senti orgulho e, ao mesmo tempo, um vazio. Foi difícil, muito difícil.

    • Olá, Everton, espero que esteja bem. Minha mãe morreu no primeiro ano do meu mestrado, então já comecei o doutorado achando que alguma tragédia poderia acontecer. A ansiedade é muito prejudicial para nós. Queria muito que não fosse tão difícil.

  22. Muitas mulheres vêm exaltando essa “feminilidade guerreira” como o único modo de ser uma mulher admirável e passível de sobreviver ao jugo do patriarcado. Eu sou forte, mas não preciso bancar a forte a todo momento. Tenho minhas fragilidades. Não sou uma máquina indestrutível que funciona 100% incessantemente. Ninguém é, eu acho… Nem as máquinas.
    Quando a ansiedade, gerada em parte por essa falta de aceitação ao meu lado que “não vence”, se fez tão presente no meu dia a dia, houve quem me apontasse o dedo e me chamasse de fraca, incapaz, “perdedora”. Ainda há quem o faça.
    Sou guerreira, mas não sempre. Luto, às vezes ganho, às vezes perco, como todo ser vivente. E a vida vai seguindo. Prefiro tentar ser um pouco feliz e correr atrás disso, do que levar a vida focada num padrão que só me sufoca, critica e me faz desgostar de mim mesma.
    Parabéns pelo texto!

  23. Parabéns pela sensibilidade do texto!
    Tenho 47 anos e o meu caso foi o contrário; abdiquei do trabalho e faculdade e acompanhei de perto a infância dos meus três filhos.
    Era mãe em tempo integral.
    Eles cresceram e voltei pra sala de aula e mercado de trabalho; hoje tenho um trabalho que me realiza e estou concluindo graduação em Recursos Humanos e continuo na luta!
    E os filhos, bom… O mais velho, 23 anos, está nos EUA, realizando um treinamento pra empresa que trabalha atualmente, a 2° de 22 anos, está concluíndo graduação em Administração e a mais nova 14 anos está no 9° ano do ensino fundamental.
    Filhos lindos, inteligentes e o mais importantes, pessoas de bem, que é o meu maior orgulho!
    Um abraço

  24. Senti como se esse fosse um desabafo meu, tirando o fato da maternidade.
    Mesmo sendo o único filho homem, tomei a carga emocional da minha família qndo sai de casa pra estudar (2012), como forma de nos aproximar devido à distância geográfica.
    Hoje moro sozinho, e há dois anos não tenho tido estrutura psicológica para concluir minha graduação. O que me deixa mais frustrado ainda, me vem aqueles pensamentos “é só uma graduação, pq todo esse medo? Pq tanta enrolação?”.

    Enfim, obrigado pelo texto e desculpa pelo desabafo!

  25. Me sinto assim com a dissertação do mestrado (tentando terminar), com embates que passo nos últimos 5 anos de minha vida. Me ergo, me levanto, me supero, me transformo como fênix e tenho muita resiliência em minha plasticidade neuronal depois de uma clipagem de aneurisma. Mas não sou super mulher, meus anseios são simples, mas os momentos de solitude me mostram o que ainda não aprendi mas também que sou humana e com isso sou eu, uma mulher em busca de si e de seus limites.

    • Oi, Débora, acredito que superação dos desafios faz parte de nossa jornada, o problema é quando engrandecemos a “batalha” como se ela fosse a única solução. É importante pensar e falar sobre isso. Bjo

  26. Texto perfeito onde muitas de nós se viram retratadas.
    Voltei no tempo, em frangalhos e exposta a n tipos de cobrança, desde o coordenador da Universidade , que me fazia substitui-lo sem remuneração, até o ex marido, família então nem se fala.
    Hoje vejo minha filha num processo parecido e isso me desespera.
    E há ainda outro desafio grande pela frente onde, junto com o envelhecer, vem o preconceito, a desvalorização, a despeito de quantos títulos você tenha , que acarreta uma sensação de inutilidade e invisibilidade.
    Espero que vocês consigam construir uma história diferente.

    • Oi, Ana, é importante que a gente mostre esse outro lado, mesmo. Porque em tempos de redes sociais parece que todo mundo tem a vida perfeita, que ninguém sofre, ninguém tem medo, ninguém é infeliz. A academia é um grande bazar de egos, todos quem provar que são melhores e mais capacitados. Precisamos mostrar o outro lado, o quanto nós mulheres somos massacradas nesse ambiente, para que possamos mudar essa realidade. Compartilho da sua esperança e também que consiga lidar com a questão da idade de uma forma menos dolorosa. Também estou nessa fase, me vendo velha e irrelevante. Haja reconstrução! Mas estamos juntas, se quiser conversar é só me procurar no email microcelebridade@gmail.com. Bjo

  27. Nossa muito interessante, as vezes me sinto assim super cobrada. Seus textos, nossa . Gostaria muito de ler sua tese.Manda por favor para o meu email.

  28. Nossa, parece que me vejo nesse cenário… não consigo fazer as unhas, minhas coisas sempre estão pendentes de arrumação porque fico esperando “aquele dia em que terei tempo”. Meu filho chora dizendo que desde que comecei a estudar para o meu concurso não dou mais atenção a ele. Correria, confusão mental, deixei de fazer a ginástica porque não consegui encaixar. Marido sem paciência… E também acabo sendo um “exemplo” de mulher, segundo as pessoas. Mas sinceramente, faço tudo meio que pela metade e vou levando assim. Não dá é para ser mulher maravilha

  29. uma amiga te enviou seu texto e lamento mt que vc tenha passado por td isso. Faço doc e nao tenho mt motivação além de querer estudar, fiquei 2 anos travada, bloqueada, infeliz e questionando minhas escolhas, ,até que me dei conta que eu amo o que escolhi como carreira entao qro terminar pq acho q posso escrever algo interessante mas já chutei os prazos para o alto. Mts falaram nos comentários: o problema é o ego. Exatamente. Mas nós tbm somos o problema pq fazemos parte dele. Deveríamos ser a mudança. Nao aceitar a humilhação, a cobrança, colocar as cartas na mesa e dizer: esse é o meu limite, além daq posso até me matar.
    Do jeito q está, nao é assim que produzimos conhecimento, produzimos lixo, andamos em círculo e nao avançamos, pelo menos não nas humanas, de onde sou e do que posso falar.
    lamento mt as escolhas q vc fez. Se vc for professora, faça diferente, cobre o que vc pode cobrar, estimule a leitura e o debate e fale na cara do aluno qd ele nao quiser estudar: acho q vc nao qr estar aq. Nao dê espaço para os falsos egoísticos. Sao esses que depois infernizarão alunos, pq se acham incríveis, mesmo sendo portas preguiçosas e burras.
    chega de falsos cientistas, de gente q decora, que escreve qq merda só para ter um título. Nao é o seu caso mas é de mt gente.
    Somos a mudança. salve vidas, salve mães e pais de provocarem traumas em seus filhos, rompa com essa reprodução absurda da superexploração, se a academia for um lugar de conhecimento, de debate, de trabalho coletivo, vai doer menos em todos nós. Teremos mais tempo livre para nossos filhos, nossos pais, nossos amigos. bjs

  30. Que texto incrível, Máira!!
    São textos e comentários como esses que fazem com que nos sintamos abraçadas nos momentos de angústia!!!
    Tbm gostaria de ler sua tese 🙏🏽❤️, vou te enviar um e-mail!!

  31. Boa noite!
    Texto perfeito, simplesmente precisa ser lido e compartilhado!
    Eu me identifiquei muito, apesar de ainda não ser mãe. Foi mais pelo cobrança interna, a qual me submeti durante o mestrado.
    Eu cursei por dois anos o mestrado, cumpri os créditos, qualifiquei (aos trancos e barrancos)… mas durante todo o último ano, estive com sérios problemas sociais (isolamento, inclusive dentro de casa com meu esposo, que diga-se de passagem, sempre teve muita paciência com toda a situação, incluindo minha instabilidade de humor). Além disso, fiquei refém de ansiolíticos e antidepressivos por mais ou menos um ano e meio.
    Infelizmente, diferente de você, eu não tive forças para concluir este meu projeto acadêmico, embora tenha tido muito incentivo e suporte do meu orientador, que sempre acreditou demais nas minhas capacidades (bem mais do que eu, na maioria das vezes). No entanto, faltando cerca de 40% (ou menos, segunda algumas colegas) para concluir a minha dissertação de mestrado (cujo tema muito me interessava), eu ‘joguei a toalha’, já me encontrava com mais de 6 meses de prorrogação. Eu me sentia culpada diariamente por não conseguir escrever, e assim não me sentia no direito de fazer mais nada que pudesse me dar prazer (visto que eu não cumpria com minhas obrigações). Foi um período muito sofrido, pensei demais no que fazer, mas largar o mestrado – faltando tão poucos aos olhos alheios, mas tanto pra mim – foi a solução para não surtar de vez, não perder meu casamento e nem a minha sanidade.
    Hoje, após 6 meses da desistência, por muitas vezes já chorei de arrependimento. Mas a cada dia eu tento por na minha cabeça que eu precisa priorizar a mim, e não a um título.

    Enfim, desculpe pelo texto tão grande.

  32. Adorei seu texto, minha história é repleta de apego as guerras de ser mulher e há pouco estou mais reflexiva desse papel.
    Ainda falta um pouco para largar essa pedra se conseguir nessa existência, rsrsr.
    Me identifiquei muito com seu texto, nesse último ano assumi algumas fragilidades e ” incompetências ” como mulher, rsrsr.
    Não é uma tarefa fácil, mas decidi que não vou sobreviver e sim viver.
    Agradecida por compartilhar.

  33. Amei seu texto, me vi nele, de alguma forma. Tenho 36 anos, sou casada e mãe de três crianças de 3, 6 e 7 anos. Tenho uma vida muito corrida, fiz duas faculdades e a filha mais velha nasceu do meio pro fim da segunda faculdade. Me considero uma pessoa inteligente e tenho vontade de prosseguir nos estudos, e sinto uma grande pressão de amigos e até de meus antigos professores para fazer uma pós, um mestrado, q tenho potencial e etc. Sei q tenho e sou capaz, mas não quero e não vou sacrificar meus filhos, eles só serão crianças agora, eu escolhi cada um deles. Minha casa é um tanto quanto bagunçada, porque eu não sou aquela dona de casa perfeita, aquela q lava, passa, cozinha, cuida das crianças e no fim do dia tudo está perfeito, nenhuma poeira e nada fora do lugar, e ainda bonita e cheirosa e bem disposta pro marido. Meu marido é um ótimo pai, mas adora esportes e vive jogando futebol, vôlei, até viaja pra jogar, enquanto eu não tenho tempo nem de fazer minhas unhas. Na verdade, não tinha, decidi me cuidar um pouco mais, tinha me esquecido da minha aparência, estava quase 30kg acima do meu peso, nenhuma roupa me Sérvia e me sentia um patinho feio. Agora, emagreci 15kg, faço minhas unhas quase todo fds, me arrumo um pouco mais, não para o marido, mas para mim mesma, para me sentir viva, claro q ele tbém acaba sendo favorecido. Não tento ser perfeita nem dar conta de tudo, a prioridade são meus filhos estarem limpos e alimentados, tarefas escolares em dia, a casa eu ajeito quando der e o marido ajudar, porque, sinceramente, esse título-fardo de super heroína q dá conta do mundo inteiro e no fim do dia está com a carinha de boneca, esse eu não tenho e nem quero ter!

  34. estou fazendo mestrado, tenho dois filhos pequenos, e estou escrevendo a minha dissertação, realmente é frustrante não conseguir escrever 20 páginas seguidas, ficar irritada, estar acima do peso ideal… e estou pensando seriamente sobre o doutorado, se realmente valerá a pena… muito obrigada por compartilhar sua experiência e sentimentos.

  35. Ótimo texto. Lembrei de um período muito doloroso que passei há uns 3 anos. A médica que me atendeu em uma crise alérgica , claramente causada pela minha instabilidade e cansaço emocional me chamou de guerreira cansada.
    O cansaço me dominava naquela época.
    Felizmente passou.
    Casamento terminou!
    Vieram novos problemas, mas aquele não tenho mais.
    O lugar de super mulher, super mãe , super profissional , super sexy..etc não cabe em mim..
    Eu, ha mais de 20 anos questiono este estereótipo feminino.
    Tenho 44 anos.
    Enfim! Devemos sim falar sobre nossas dificuldades. Devemos sim abnegar de algumas coisas em benefício próprio.
    Se faço isso com frequência ? Naooooo! Ainda não consigo! Há uma batalha interna que ainda me faz repetir o comportamento da super! Mas eu to me esforçando…rsrsrs
    O que não paro de pensar sobre o texto é que este lugar que estamos, muita vezes, nós mesmas tomamos posse dele.
    Por que?
    Para que?
    Deixar que nos vejam chorar.
    Deixar que sintam nossa infelicidade
    Admitir que não queremos aquela vida daquele jeito é responsabilidade nossa!
    Não existe escolha errada! E temos , na maioria das vezes, outro caminho a seguir.

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