I can save myself

Desde que comecei a militar na Marcha tenho recebido inúmeros relatos de agressão de amigas e conhecidas. Mulheres que confiaram em mim para contar sobre a violência que viveram na mão de seus companheiros (ex ou atuais). Costumamos dizer que toda a mulher tem uma história de horror para contar e não faltaram hashtags para expor situações de abuso. A última, #exposed, rolou esses dias no Twitter e trouxe uma lista de professores, colegas de classe, da igreja, vizinhos, parentes e amigos das famílias.
Quando paramos para prestar atenção, a cada nova lista, muitos nomes conhecidos. Galera do rolê, caras bacanas que circulam com a gente nos mesmos espaços. Há algum tempo a Clara Averbuck falou sobre o Serasa de Homem e achei a iniciativa fantástica para identificarmos potenciais abusadores. É claro que tem muito cara que é babaca, muita relação que não dá certo, mas que não há violência envolvida. Não é disso que eu estou falando. É do cara ser conhecido como mulherengo (também sou hahaha), embuste, ou sei lá, mas se mostrar um stalker psicopata, como já aconteceu comigo.
Daí comecei a perceber que pra cada história de horror que uma mina tem pra contar, tem um brother envolvido. O nome desses caras desaparece tão rápido quanto surge uma legião de defensores dos pobres caras perseguidos por essas amazonas feministas anti-omi.
Percebam como o discurso da destruição de reputações é acionado a cada nova denúncia e os caras continuam aí, circulando bem de boas, enquanto as mulheres têm suas vidas destruídas, com sequelas físicas e emocionais que muitas vezes não são superadas nunca.
Estamos falando disso há muito tempo e olha que eu sou uma das que acha que os caras têm que ser incluídos no debate, porque são eles o sujeito da agressão e isso não vai mudar sem que eles mudem. Daí fica o meu questionamento: você, querido amigo, já olhou no espelho e viu seu passado te mostrando que você já foi um abusador? Já olhou pros parças que colam em todas com você e viu como eles são violadores? Já pensou em cortar essas pessoas do seu convívio e parar de defender agressor/estuprador?
Porque, meus amigos, a lista é grande e não para de entrar gente. Das artes, da literatura, da universidade, da espiritualidade, , dos bares, da cena, de todas as cenas.
Quando a gente fala de todos os cuidados que precisamos tomar, de não andar sozinha na rua, mandar recado avisando que tá saindo/chegando, ter contato de sos no celular e mais um monte de medidas de segurança que precisamos tomar o tempo todo, quando a gente fala de violência, parece que é sempre de um desconhecido que estamos falando.
Não, não é. É de você e do seu amigo que você defende e protege.
Nós já sabemos disso, e continuamos sendo nós por nós.
Sabemos que ninguém irá nos salvar, mas estamos juntas. E somos muitas.

https://monab1.wordpress.com/2014/07/15/thanks-but-ill-save-myself/amp/

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